26 de junho de 2017

Livro: Sentindo a Vida
Autor: Guto Cariello
Editora: Chiado
Páginas: 220
Sentir a vida é um exercício que nos estimula a perceber a necessidade de refletir constantemente sobre o curso e os detalhes de nossas existências. Através dos 87 temas que compõem esta obra, o leitor sentirá a indispensabilidade de meditar sobre questões essenciais que discutem a busca do equilíbrio e da evolução individual e coletiva. GUTO CARIELLO convida seus leitores a ponderar suas próprias realidades a fim de despertar para a urgência do progresso humano. O Amor e a esperança são os princípios que norteiam o maior propósito deste trabalho: semear e cultivar dias melhores para o mundo do qual somos os principais agricultores.
Sentindo a Vida trás diversos temas em formatos de textos sobre a reflexão de viver.
O que é a existência humana? Controlamos tudo com a tecnologia, aceleramos cada vez mais todos os processos da vida, mas nunca conseguiremos controlar o tempo. Por que precisamos de tudo para ontem? Por que é necessário ter a paciência de enfrentar as etapas da vida, como a escola? Por que é importante ter paciência? Como ajudar o outro com um simples bom dia? Como ajudar a si próprio? Como viver? Como sentir a vida? Enfim, essas perguntas, esses questionamentos são só alguns que este livro trás.
Sem estar narrando uma história sobre alguém, como estamos acostumados, Sentindo a Vida está falando diretamente com o leitor. Está fazendo o leitor se questionar sobre o que acontece consigo, com o que acontece ao seu redor. Sentindo a Viver está mostrando ao leitor como, porquê e qual a importância de Sentir a Vida.
Fazia muito tempo que eu não lia um livro como Sentindo a Vida. Ele não trás uma história, e sim, sendo bem realista a sua sinopse, é um livro com temas desenvolvidos como textos que estamos acostumados a ler e esses temas vão falando sobre sentimentos, atos, consequências e tudo o que nos torna seres humanos.
Fazer a resenha de Sentindo a Vida está sendo muito complicado para mim porque as bases que uso para trazer para vocês o que acho da história não existem nele. Não é uma história, portanto não tem personagens e gosto de trazer o desenvolvimento deste ponto para vocês.

Sentindo a Vida dá aquela real sensação de que o escritor quer conversar com o leitor e até por não termos uma história para acompanhar, isso se torna ainda mais real. Em um livro com uma história de romance, suspense, ou seja o que for, o leitor precisa tirar dela o que ela tem a lhe oferecer, neste livro não, o autor te dá isso. Ele já te dá o propósito e o que tem a oferecer.
"Quem entende e conhece o funcionamento desse grande sistema que é a vivência humana, sabe que nascemos para o sucesso."
Sentindo a Vida não é aquele livro que você começa a ler e não para mais, pelo menos para mim a leitura dele foi um pouco lenta. Por se tratar de textos, os capítulos eram bem curtos, mas as vezes se tornavam lentos e isso tornava a leitura mais demorada. Mas eu acredito que a proposta do autor era justamente esta: ler com calma, no seu tempo e quando tem vontade.
Uma característica que realmente adorei é que no início de cada capítulo, ou seja, de cada texto, tem o lugar e a data de quando ele escreveu e até por isso acho que o leitor tem que ler com calma porque a cada texto ele prepõe uma reflexão e isso trás a sensação de que assim como o escritor que escreveu no momento certo, o leitor está lendo no momento certo.
"Agradece é o primeiro mandamento indispensável para conquistar o verdadeiro sucesso de vencer a si mesmo."
Um ponto que eu realmente adorei em Sentindo a Vida é a escrita do autor. Guto Cariello traz uma escrita rica em vocabulário, mas que não se torna complicada, muito pelo contrário, é muito simples, só que para isso ele não precisou escrever com as palavras mais conhecidas por todos. Não sei se consigo explicar para vocês, mas ele consegue trazer para o leitor palavras talvez novas ou não tão conhecidas e fazê-las parecer normais, como se sempre soubessem o significado, porque dá para entendê-las pelo seu contexto. Isso sem dúvida foi o que mais me fascinou no livro.
"Quanto mais amedrontadora se apresentar uma tempestade diante de nossos caminhos, mas brandura deve ser estimulada dentro de nossas almas. A imperturbabilidade é o reflexo do cultivo da serenidade."
Como ao repararmos nas questões das datas nos textos, percebemos que o autor escreveu tais textos expressando seus sentimentos em determinadas situações e eu acredito que Sentindo a Vida é muito pessoal. O autor realmente colocou o que estava sentindo no que estava escrevendo, porém por mais que isso seja muito bonito, em alguns momentos percebemos que mesmo trazendo um tema diferente, ele acabava se repetindo em alguns pontos sobre algum assunto e acabava se tornando a mesma coisa. Não era sempre que isso acontecia, mas em alguns momentos ele acabava trazendo um tema já falado novamente e acabava falando o que já tinha falado e até por isso que falo que a leitura se torna um pouco lenta.

Contudo, o que quero dizer é que a proposta do autor é maravilhosa e acho que ele realmente consegue atingir o leitor como deseja, mas acho que não serão todos os temas que farão o leitor trazer para sua vida, como já falei, vai depender do momento em que cada um esteja vivendo. E por mais que seja pessoal para mim, vou dizer que teve alguns textos em que eu realmente senti o autor do meu lado, como se estivéssemos conversando. Em um tema que ele fala sobre pedirmos perdão, pois nada no mundo é imperdoável e que devemos perdoar a nós mesmos, foi o momento em que eu realmente senti o que o autor queria. Por isso que falo que vai depender do momento em que cada um esteja vivendo, pois daqui há algum tempo, se eu reler Sentindo a Vida, tenho certeza de que alguma outra parte, algum outro tema irá falar comigo e, por causa do momento em que estou vivendo vou entender perfeitamente o que o autor está querendo dizer para mim.

Mas, independentemente de que tema tiver mais a ver com você, independentemente do momento em que esteja vivendo, todos irão perceber que a proposta do autor é realmente colocar nossa mente para pensar, questionar e principalmente viver. Somos tudo e não somos nada e tudo o que sabemos que temos é a vida, não sabemos quando será o fim ou se existe realmente um fim, mas sabemos que temos a vida e por mais que pareça simples, precisamos constantemente nos lembrar de senti-la, de dar o devido valor.
"Absolver a si mesmo é perceber que somos falhos e, por vezes, inconscientes da irresponsabilidade contida em cada ato que cometemos. Todos nós merecemos uma segunda chance, outra oportunidade de recomeçar. Mas, para galgarmos uma nova trajetória, carecemos superar e aceitar a deformidade da nossa capacidade de ser perfeitos."
Não é sempre que um título diz muito sobre seu conteúdo, entretanto, este realmente consegue este ato. Sentindo a Vida trás diversos temas sobre o que tornam os seres humanos em seres humanos. Erros, acertos, amor, raiva, paciência, medo, paz, atitudes, consequências e muitos outros. Seres humanos que precisam passar por toda uma vida e às vezes não conseguem nem senti-la. É preciso apreciar, degustar e sentir o prazer de viver e por isso precisamos estar Sentindo a Vida. 
"Esse é o sistema da vida: perder para ganhar, cair para levantar e chorar para, então, poder sorrir. Permitir-se para experimentar. Experimentar para conhecer. Conhecer para aprender. Aprender para evoluir."
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22 de junho de 2017

Livro: Eternidade
Autora: Letícia P.S
Taylor Harper só queria ser normal, mas ela era uma Vampira Branca, com o poder sobre o elemento fogo, herdeira de uma Profecia e a única capaz de matar o Vampiro das Sombras, o mais poderoso vampiro que já andou sobre a terra. Desde que abrira os olhos pela primeira vez, Taylor soube que sua vida não seria nada fácil. Nascida em meio a uma guerra na qual os vampiros de sua espécie eram forçados a fugir e se esconder, esquecendo até mesmo como usar a sua magia interior como arma, Taylor acaba se vendo dividida entre salvar aqueles que ama e salvar o mundo inteiro. O destino de todos está nas mãos de Taylor.

Pela primeira vez eu venho trazer para vocês as minhas primeiras impressões de um livro. E não é qualquer livro, é Eternidade da escritora Letícia P.S.

Eternidade trás a história de Taylor, uma jovem que poderia passar sua vida como humana, mas que de humana não tem nada. É uma Vampira Branca que domina o elemento fogo, afinal este é seu poder. Porém, ela está vagando sozinha pelo mundo e não porque não tem ninguém, mas porque não pode ter ninguém. Até porque, quem está próximo a ela, morre, pelo menos é isso que ela pensa.
Taylor viu seu pai e seu namorado morrer por sua causa. Por causa do Vampiro das Sombras, que quer dominar o mundo e agora estava com sua mãe também.
Para que ele não matasse sua mãe também, Taylor aceita fazer um pacto de sangue com ele. Em troca de sua mãe ficar viva, ela deverá ir para o inferno com ele. Porém, isso só acontecerá quando as portas do inferno se abrirem novamente, enquanto isto sua mãe ficará presa naquele lugar. Mas porque toda essa obsessão com a Taylor? Simples, ela é única que poderia matá-lo, mas se tentasse enfrentá-lo, poderia perder sua mãe e Taylor já estava cansada de ver as pessoas que ama morrer, porém, se não lutasse contra ele veria o mundo todo se acabar sendo governado pelo Vampiro das Sombras.
Taylor tinha que fazer uma escolha: se entregar e salvar aqueles que ama ou lutar e salvar o mundo, mas provavelmente não conseguir salvar aqueles que ama. Essa escolha nunca será fácil, mas ela está em uma jornada na qual qualquer que seja sua escolha ela terá ganhos e perdas. A vida é assim, não é? Taylor terá que seguir em frente e se decidir.

A capa sem dúvida alguma me chamou a atenção, porém, eu tive um certo preconceito ao ler a sinopse da história porque já vi que ia trazer o sobrenatural envolta desse mundo famoso de vampiro e tudo mais, e eu, infelizmente pensei: "Mais do mesmo". Entretanto, eu gostei bastante do primeiro livro da Letícia, mesmo que não tenha nada de sobrenatural nele, então estava ansiosa para ler os três primeiros capítulos deste. E eu li.
O que posso dizer é: Não é mais do mesmo. Sem dúvida alguma ela me surpreendeu nos primeiros capítulos. Ela criou diferenças entre vampiros, é como se fossem duas raças, é um exemplo bobo, mas explica bem. Por mais que tenhamos muitas histórias que envolvam esse sobrenatural, eu não leio, então talvez para quem conheça bem o tema, não seja tão diferente, mas os primeiros capítulos me surpreenderam comparado à outras histórias de vampiros que conheço.
"O “dia” está chegando, posso sentir isso por causa do pacto. Mais alguns meses e passarei o resto dos meus milênios no Inferno."
Temos dois tipos de vampiros, os Vampiros Negros e os Vampiros Brancos, e isso não tem nada relacionado com a cor pele, muito pelo contrário, é muito interessante a história por trás dessa distinção entre os vampiros, e claro suas características os tornam diferente. Pelo que deu para entender até agora, os Vampiros Negros são os que já conhecemos bem dentro da literatura: imortais, mas morrem se estiverem exposto ao sol, leem mentes e tudo mais. Os Vampiros Brancos são diferentes e é por causa deles que a história se desenrola, afinal nossa protagonista é uma deles.

Eu gostei da escrita jovem e leve que a escritora trás para a história. A escrita não é em momento algum boba, muito pelo contrário, ela trás com conteúdo o que quer passar, mas consegue fazer com que seja simples. Isso sem dúvida alguma ajuda na leitura e a entender o que ela está contando, afinal estamos sendo apresentando a um mundo novo, então precisamos entender o que ele é para que possamos entender e gostar da história. A autora sem dúvida conseguiu trazer isso.
Envolvendo a questão da escrita ainda e que foi muito bom é que mesmo envolvendo mistério, não ficou aquela história vaga onde nos primeiros capítulos o leitor fica muito perdido, ao contrário disso, é bem interessante como ela vai contando a base de todo aquele mundo sem necessariamente jogar tudo no colo do leitor, mas sim com calma e simplicidade, e não pensem por momento algum que ela já dá tudo de mão beijada nos três primeiros capítulos, porque a escritora cria dúvidas e perguntas em nossa mente e deixa aquele mistério. 

Eu adorei a protagonista, até porque a história ser narrada do ponto da vampira é mais interessante. Por mais que tenha sofrido muito, Taylor não se mostrou de forma alguma como aquelas sofredoras e isso é uma característica muito forte na personagem que eu espero que se desenvolva bem. Jack é um personagem que creio que não vou gostar tanto porque é o humano disposto a tudo pela garota gosta, achei meio tosco, mas é engraçado algumas partes, como ele com medo dos vampiros, mas ainda se encaixa naquele personagem perfeitinho demais. Agora, o que eu já esperava e que a Letícia não me decepcionou é nos coadjuvantes. Amo personagens secundários e já dá para perceber que teremos alguns bem interessantes, como a Claire, a Lauren e o Dylan. Tem muitos outros que também me chamaram a atenção, como os gêmeos. Espero que eles se desenvolvam bem durante a história, porque os achei bem cativantes e parecem ter ótimas histórias próprias.

Bom, só com três capítulos eu me surpreendi muito. Eu não pensei que fosse me interessar tanto pela história quanto interessei e sem dúvida alguma estou completamente ansiosa para ver onde a Taylor vai nos levar nesta jornada que imagino ser bem intensa.
Em apenas três capítulos, Eternidade, se mostrou um livro com uma história jovem capaz de trazer um mundo completamente novo para o leitor embarcar. Em uma história sobrenatural, a coragem, a bravura, a esperança e o amor serão os principais elementos depois de se fazer suas escolhas. 

Para quem se interessou pelo livro assim como eu, tem como adquiri-lo agora com 15% de desconto. Ele está em pré-venda e será lançado no dia 01/07, mas você já pode garantir o seu. A promoção de 15% de desconto é especial da pré-venda e você pode adquirir o seu clicando aqui.
“É gratificante ver que não importa quanta escuridão exista na noite, a luz do amanhecer sempre a afugenta”.
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19 de junho de 2017

Livro: A Vila dos Pecados
Autora: Soraya Abuchaim
Editora: Coerência
Páginas: 452
Final do século XIX. Enquanto o mundo passa por transformações importantes, existe uma vila inóspita, que vive à margem da civilização e que tem as suas próprias e estranhas leis.
Lendas escuras a rondam e histórias macabras sobre Ponta Poente povoam o imaginário popular.
Quando o padre Alfonso Anes, um exemplo vivo de amor e resignação, chega à vila para substituir o seu antecessor, depara-se com segredos que o farão duvidar da própria sanidade, e uma onda de mortes trará o caos para aquele lugar ermo.
Quem estará a salvo? Serão estes segredos o fim de quem os esconde? O que esse universo tenebroso revelará para o mundo?
Um suspense sinistro, que envolverá completamente o leitor e o levará a compartilhar dos segredos da Vila dos Pecados.
Padre Bento em seus últimos minutos de vida, enquanto sente a morte lhe rodear se lembra de toda a sua vida. Se lembra da boa criança que foi e que não queria se tornar padre, mas por insistência da mãe, que dizia que essa era sua missão, foi estudar para então vir a ser, hoje, padre de Ponta Poente. Mas depois de uma longa jornada, sua vida estava chegando ao fim. Ele se lembra de todos os pecados que cometeu em sua vida. Era para ter sido o homem bom que aparentava ser, afinal era a figura designada para trazer paz para aquela vila, porém, nunca foi assim. Usou as pessoas e seu poder e agora estava chegando sua hora. Talvez se arrependesse, mas até quando pode usar o nome de Deus, fazer o mal e ficar tudo bem? Bom, Padre Bento fez muito mal, e a única coisa que importava agora era que ele estava indo embora. A morte finalmente veio lhe buscar. E agora o que sera daquela vila que tanto dependia da figura representativa da bondade e do perdão? Um novo padre viria e será que ele seria conivente com tudo o que acontecia naquela vila que tinha suas próprias regras?
Alfonso Anes é verdadeiramente a figura da bondade e do amor. Um padre que realmente é devoto a sua missão de passar a paz, a bondade, o amor e o perdão aos outros. Após a morte do antigo padre, Bento, Alfonso é designado a ser o sucessor em Ponta Poente. Porém, ao chegar lá, ele encontra uma vila pequena, que aparentemente é muito boa de se viver, mas nem tudo é o que se parece. Ponta Poente é naturalmente aquilo que conhecemos: bonita por fora, podre por dentro. 
Pessoas com muitos segredos começam a temer o que pode acontecer a partir do momento em que um novo padre chega e parece ser realmente bom, incapaz de se corromper ao mal – ao contrário do antecessor –, afinal um padre, principalmente no final do século XIX, é uma influência muito grande a sociedade, principalmente em uma vila tão pequena. Segredos obscuros podem vir a tona, entretanto, isto não é o pior, pois uma onda de mortes traz definitivamente o caos para Ponta Poente, colocando a prova quem são as pessoas verdadeiramente e quais seus maiores pecados. Perguntas surgiram: Até onde cada um é capaz de ir? Os bons podem se corromper? E a principal, alguém será salvo? Quem?

A Vila dos Pecados é um suspense escrito pela nossa Dark Queen, Soraya Abuchaim. É muito complicado começar essa resenha e não porque palavras me faltam, é como se eu soubesse o que falar, só não encontro a forma correta de me expressar porque nada, NADA do que eu fale será capaz mostrar a magnitude que este livro tem. Eu simplesmente nunca irei conseguir me expressar da forma digna que esta história realmente merece.
"Em Ponta Poente, ninguém era aquilo que demonstrava ser, e os pecados corriam livremente pelas suas ruas estreitas, como sangue nas veias de um ser humano."
Eu sempre gostei de trazer para as minhas resenhas um pouco sobre os personagens e suas personalidades porque sem dúvida isto é um dos pontos principais para uma história ser boa, no meu ponto de vista. É complicado citar personagens específicos de A Vila dos Pecados porque é uma história que trás todos os personagens com muita presença e sem dúvida alguma, muita personalidade. Você tem diversos personagens em que no primeiro momento você os divide entre os que são do bem e o que são do mal, porém, ao longo da história, por mais que tenhamos pessoas que desejam e fazem o bem enquanto outras só cultivam o mal, todas são humanas. São seres humanos, todos são capazes de errar porque todos tem suas fraquezas. Isso sem dúvida foi o que me fez amar a história, porque o que mais prezo em um livro é quando eu vejo que os personagens é como eu, a partir do momento em que são humanos, tem suas falhas e ninguém é perfeito. A autora trás isso como uma das principais características de seu livro.
"Entregou-se ao sono pesado, das pessoas verdadeiramente tranquilas de consciência. Ele daria o seu melhor, só esperava que fosse suficiente."
Em volta ainda da questão de que todos tem qualidade e defeitos, ninguém é perfeito, neste livro eu acabei julgando-o um pouco antes de lê-lo por pensar que fosse impor a religião católica de alguma forma já que se trata de dois padres. Porém, logo no primeiro capítulo já nos mostra que alguns padres não são o que verdadeiramente mostram. E não estou dizendo que nenhum padre ou pastor seja ruim, porém nem todos são bons e usam o nome de Deus para muita coisa errada, da mesma forma que temos o contrário também, muitos realmente são ótimos. O bom de A Vila dos Pecados é que temos esses dois lados da história. Um padre não era o que se mostrava ser e usava da sua posição para o bem próprio, enquanto o outro, a bondade em ser humano queria realmente ajudar aos outros. 
Uma questão interessante e de alguma forma corriqueira que a escritora traz para a história sem dúvida é a forma como o padre é uma pessoa normal. Sabe, principalmente para alguém que é de uma família católica, acaba vendo o padre como alguém que não comete erros, que não consegue ter o mínimo que for de um sentimento ruim, como a raiva ou até não se da conta de que ele faz coisas simples, como ter uma rotina comum. Com sutileza, isso vem sendo nos apresentado e é algo que por mais que pareça bobo, torna a história ainda mais rica do que é. 
E, por favor, se vocês não gostam de histórias que envolvem religião, não menosprezem esta porque ela não é isso. A Vila dos Pecados é uma história sobre a maldade do ser humano e o quanto isto pode afetar a tudo e a todos ao seu redor, se você acredita ou não na religião, por mais que um dos pontos de vista seja de um padre, a história não é isso, porque o próprio padre precisa desconstruir crenças dele (outro ponto muito interessante) porque nada é uma verdade universal. Cada acredita em algo ou em nada e cada um tem a sua fé, e se não tem fé, tem esperança. A história é isso: a esperança de que o bem possa ser maior que o mal. 
"Quando conhecemos uma única verdade, ela se torna absoluta para nós, não é mesmo?"
Narrado em terceira pessoa, a autora não focou em contar a história a partir de apenas um personagem. Temos o ponto de vista de diversos personagens, mas não são as mesmas cenas, o que é ótimo. A história vai seguindo normalmente. Até por isso que sinto que é complicado falar de apenas alguns personagens, porque a autora realmente conseguiu criar personalidades fortes para seus personagens e todos eles se tornam protagonistas, entendem? Todos tem suas histórias, seus pecados e suas vidas e é fascinante a maestria com que a Soraya consegue envolver o leitor com cada personagem, seja você o odiando ou amando ele. Ela não se perde em momento algum e consegue criar e desenvolver toda a história deixando o leitor preso nela do início ao fim.
Eu tenho alguns capítulos específicos que me fizeram realmente perder o fôlego, mas não vou dizer para não perder a graça. O que posso dizer é que temos dois capítulos narrados em primeira pessoa que é o interlúdio do assassino, e esses capítulos são surreais porque você não sabe quem é o assassino, mas ele te dá pistas que ajuda, entretanto deixa mais confuso. Sem contar, que por ser narrado em primeira pessoa, é como se o assassino estivesse conversando conosco, com o leitor. É tipo: É, eu matei. Eu gostei de matar. E você não saberá quem sou eu..., sem dúvida isso me fez ficar ansiosa, com a respiração acelerada e com mais ganância de chegar ao fim daquela história e conseguir desvendar todo aquele mistério.
"O erro é sempre de quem engana, nunca de quem é enganado. A consciência tranquila é nossa maior aliada na felicidade."
Eu disse diversas vezes para mim mesmo antes de ler o livro: "Não goste de nenhum personagem, muito menos imagine algum romance, a Soraya adora destruir os corações dos leitores." Porém, mesmo depois de dizer isso diversas vezes, eu não consegui não amar nenhum personagem. Dois em especial me fez imaginar que a história da Soraya pudesse ter, no mínimo, um pouco de romance, mas como se ela risse de mim, foi lá e os matou. Gente, não posso dizer os personagens, mas sabe quando você é pego de surpresa pelo escritor? Foi bem isso que a escritora fez. E por mais que eu quisesse meus amados personagens de volta, é maravilhoso ver como a autora realmente consegue causar o impacto desejado. Ela consegue fazer com que o leitor entenda que coisas ruins vão acontecer, mas mesmo assim não deixa de te surpreender. Ela realmente consegue ser surpreendente, ela consegue criar um verdadeiro suspense.

Eu preciso dizer para vocês da forma maravilhosamente surpreendente que a escritora consegue entrar em sua mente. Eu não sei se vocês sabem, mas sou muito medrosa e não gosto de filmes e livros que sejam de terror, mas sempre achei o trabalho da Soraya fascinante e isso me fez querer ler os livros dela mesmo não sendo os meus gêneros favoritos. Em uma entrevista ela disse que este livro não era tão terror, era mais leve e sinceramente, não sei se é porque sou realmente medrosa, mas ela conseguiu me passar medo. E, de verdade, eu não acreditava tanto que pudesse sentir isto lendo algo. Eu tive pesadelos com a história e era como se a autora tivesse entrado dentro da minha mente e não me deixasse pensar em mais nada que não fosse esta história. Foi arrebatador. Quando digo pesadelos, não digo no sentido ruim, mas foi a primeira vez que sonhei com uma história onde eu era parte dela. Claro, foi horrível alguém me matar em Ponta Poente, mas fazer o que, né? Brincadeiras à parte, eu acho incrível como as histórias dela, desde o primeiro livro que li dela, Até Eu te Possuir, consegue entrar na cabeça do leitor. Você acaba sendo levado para aquilo sem consegui escapar e quando perceber, tudo o que deseja é ler mais e mais.
"Se eu quero contribuir com alguma coisa boa nessa existência, é te dizer que a pior coisa que um homem pode fazer com sua própria vida é viver em função das leis sociais, que podem ser cruéis e impositivas."
Temos um assassino nesta história e todos são suspeitos em uma vila tão pequena. Os assassinatos tem pontos em comum, mas não o necessário para encontrar o culpado, e além do mais, a partir deles, o caos realmente tomou conta, prejudicando muitas outras pessoas. Isso é o que quero dizer quando digo que a história é realmente viciante e te faz prisioneiro dela. Eu tinha os meus suspeitos e a cada capítulo pensava alguém e tinha uma nova prova então eliminava outro. Tenho a felicidade de dizer de que cheguei a resposta de quem era o assassino. Quando pensei é tal personagem, tudo se tornou ainda maior, porque mais perguntas surgiam: será mesmo? Como? É impossível! Quando é realmente relevado fiquei surpresa porque por mais que eu pensava que podia ser tal personagem, ainda era meio que impossível. Foi realmente surpreendente. Sem dizer o final e como tudo termina, porque, Deus como alguém pode criar algo tão fascinante do início ao fim? Era só isso que eu pensava ao terminar de ler o livro.
"É muito mais fácil ser conivente com o mal do que lutar contra ele. Com o tempo, já nem se percebe que há maldade ali, que há coisa errada; as pessoas tornam esse tipo de atitude uma rotina, e passa a ser corriqueiro."
A Vila dos Pecados é aquele livro que te promete muito e te deixa cheio de expectativas e ao lê-lo você percebe que ele vai além do que prometeu e das suas expectativas. Mesmo passando no fim do século XIX, é uma história muito jovem em uma escrita que mesmo rica tanto de vocabulário quanto de desenvolvimento faz com que todos se conectem com a história.
Ao contrário de muitas histórias, A Vila dos Pecados é realmente um suspense. Ao lê-lo, a história entra em sua mente sem deixá-lo por um segundo que for sem pensar naquilo. Se você decidir lê-lo, lembre-se de que a realidade dele é muito surreal, porque seus personagens são realmente humanos. Você será levado para uma história permeada por tudo aquilo que a humanidade sente, constrói e destrói. O mundo é consequência das ações de seus habitantes. O que você está fazendo para o seu mundo? É bom? É ruim? Qual a salvação?
"Tudo sempre chega a um fim. Mas não se iluda: o fim pode não ser como espera-se, mas sempre, em qualquer ocasião, é o que tem que ser. Sempre."
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11 de junho de 2017


Amanhã (12/06) é data que faz muitas pessoas suspirar, não é mesmo? Claro, nem todos gostam de comemorar esta data. Nem todos estão namorando. Porém, não vim falar disso, porque afinal o importante é estar feliz, seja sozinho ou acompanhado, se somos felizes nada mais importa.

Hoje venho trazer vocês 4 dicas de livros para o dia dos namorados. Se você tem namorado ou namorada pode correr na livraria mais próxima e comprar um desses livros (talvez todos) e presentear o seu parceiro com essas maravilhas. Se vocês não estão namorando, podem comprar para si mesmo, porque é o que eu faria. Bom, não importa o que fará, se será para alguém ou para você, o importante é você anotar estas dicas porque são realmente magníficas. 

UMA CHANCE PARA RECOMEÇAR – DIANA SCARPINE

Se eu não me engano este foi o segundo livro que li neste ano e vocês já devem estar cansados de me ver falando dele, mas sinceramente, eu queria que todo mundo pudesse ler este livro. 
Uma Chance Para Recomeçar é um romance sem a menor dúvida, só que não é só isso. Este livro fala sobre auto-preconceito de uma forma arrebatadora. É impossível você começar a lê-lo e querer parar. A autora consegue prender o leitor do início ao fim, nos fazendo sentir todas as emoções que está contida nas páginas deste livro.

"Nossas principais características não são suficientes para nos definir. O ser humano é muito mais complexo do que isso. É uma síntese mutante do todos os traços de seu caráter, combinada às suas experiências de vida."
 DOCE AMARGO – EVELYN SANTANA

Todas às vezes que tento falar deste livro, é como se as palavras evaporassem de mim. Nada do que eu falar será suficiente para descrevê-lo. Doce Amargo é aquele livro que te surpreende por parecer ser bem clichê mas não é. Estava com medo de não gostar do livro, porém, lê-lo foi uma das experiências literárias mais fascinantes da minha vida. 
A autora consegue trazer uma história que envolve sentimentos da forma mais pura possível com personagens brilhantes porque são humanos, tem defeitos e qualidades e nos fazem amá-los. Sem dúvida é aquele livro de reler inúmeras vezes e amá-lo cada vez mais

"Havia amor o bastante dentro de mim, por nós dois. Mas não se pode amar por dois, não quando se trata de um casamento, onde amor e respeito precisam brotar dos dois dois lados. Eu via isso agora e me perguntava como pude ser tão ingênua."
 SIMPLESMENTE AMOR – HELENA ANDRADE

Como já disse aqui no blog, Simplesmente Amor é simplesmente maravilhoso. Um romance com personagens mais velhos e que a autora não se perde em momento algum ao descrevê-los com uma personalidade diferente de personagens adolescentes de outros livros.
É uma história simples que trás toda mensagem sobre o amor muito bem composta. Um ponto muito importante é que em momento algum o livro é apenas um romance, porque trás o amor de diversas formas e não só entre um casal.
Simplesmente Amor te deixa sem fôlego do início ao fim e sem dúvida alguma, ele é completamente surpreendente.

"Por que magoamos as pessoas que amamos? Será que é por que somos imperfeitos? Ou por julgarmos estar fazendo melhor? O que sei é que ao buscarmos proteger o outro, também causamos sofrimento, ainda que não tenhamos intenção."
AMOR DE CORDEL – ANDREA MARQUES

Amor de Cordel é surreal. Uma história aparentemente simples mas que trás tanta coisa, tanto conteúdo que é impossível parar de ler até ter chegar na sua última página. 
Mais um livro em que a autora consegue desenvolver a personagem mais velha sem se perder em nenhum momento. Trás o romance entre uma mulher mais velha e um homem mais novo e por mais que pareça clichê, não é. A história envolve diversas formas de preconceito que faz tudo se tornar magnífico. Este livro é aquele que só lendo para conseguir compreender o quão maravilho é.

"Por que magoamos as pessoas que amamos? Será que é por que somos imperfeitos? Ou por julgarmos estar fazendo melhor? O que sei é que ao buscarmos proteger o outro, também causamos sofrimento, ainda que não tenhamos intenção."

Espero que tenham gostados destas 4 dicas. Escolhi livros que envolvem romance e que me fizeram lê-lo do início ao fim como se nada mais importasse no mundo. Espero que vocês possam lê-los e espero mais ainda que gostem como eu gostei.
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5 de junho de 2017

Foto da Telma Castilho
Karine, você escreveu uma história que trás um assunto do qual a sociedade precisa debater e buscar saber mais, que é a depressão e o suicídio entre adolescentes. Desde o princípio você quis escrever algo que trouxesse esse tema ou não, foi algo que veio em sua mente e aí você percebeu que tinha uma ótima história para escrever? 
Eu já tinha em mente que queria escrever sobre temas tabus, que surgiam em conversas com amigos, com minhas irmãs. Aqueles assuntos que despertam tantas dúvidas e reflexões na gente. Alguns preferem deixar de lado, por preguiça, por medo... Eu acredito que eles precisam vir à tona. Afinal, somente com diálogo, podem ser pensados e esclarecidos. Quando assisti a uma palestra do jornalista André Trigueiro sobre a questão da “saúde mental adolescente”, eu disse: “Pronto, achei  meu tema! É sobre isso que eu quero falar. Sobre as dores que podem se esconder atrás de um falso olhar alegre”. 

Você acha que ao lermos só a sinopse de A Teia dos Sonhos podemos ter primeiras impressões erradas dele? Podemos menosprezar a história? O que quero dizer é que no início parece termos uma garota que simplesmente escolhe acabar com a própria vida por causa de um garoto, mas quando lemos o livro ele tem muito mais a oferecer e abrange o tema com delicadeza e muito mais propriedade. Então, de alguma forma, você acha que podem ter uma ideia errada sobre o seu livro e imaginar que ele não tem muito a oferecer, quando na verdade é maravilhoso? 
Pra falar a verdade, nunca havia pensado sobre isso... Mas, talvez, creio que a primeira impressão possa ser essa sim. Tive muito cuidado com a forma de divulgação, não queria levantar a bandeira “um livro sobre suicídio”, porque o livro é muito mais que isso. Nesse triângulo amoroso, existem conflitos existenciais em relação às três partes, que abrangem até a família deles. 
No início da leitura eu acreditei que a história seria bem parecida com a de Eu Estive Aqui, da Gayle Forman, porém você desenvolve de uma forma diferente, mas tão bem quanto e as duas trazem o mesmo tema tendo como protagonista a melhor amiga. Eu achei isso fascinante e nem sei se você conhece o livro da Gayle, mas parei para pensar e queria saber se você se inspira em alguém? Ou se inspirou em alguma obra ou escritor(a) específico para escrever A Teia dos Sonhos? 
Eu conheci a Gayle depois de escrever “A Teia dos Sonhos”, por indicação de um leitor. Também achei a semelhança impressionante. Conseguimos partir de um ponto com elementos comuns, mas traçamos caminhos diferentes. Gosto muito de uma literatura intimista, reflexiva, por isso, minha leitura de inspiração é a obra de Clarice Lispector. Mas também vibro ao acompanhar o universo adolescente com John Green e Nicholas Sparks. 
Você em algum momento achou que o seu livro não seria bem recebido pelos leitores por trazer assuntos tão fortes para ser discutido e que ainda geram muitas divergências?  
Com certeza! No dia do primeiro lançamento, achei que só haveria amigos e família... rs. E, ainda hoje, às vezes, encontro certa resistência. Mas tenho esperança de que as pessoas perceberão o quão importante é debater esses assuntos. 
Eu, como leitora, tenho algo específico que me fez amar o livro e mais ainda uma personagem em específico e isso me fez sofrer. O que quero dizer é que no início já temos o suicídio de Laura, e você não se prolonga nas lembranças de Júlia com a amiga para aproximar o leitor de uma personagem morta, mesmo assim, acho impossível não amar a Laura. Você criou essa distância do leitor para com personagem que comete tal ato de propósito ou simplesmente aconteceu por termos a narração do ponto vista da Júlia?  
Antes de começar, não pensei estritamente. Muitas vezes, o livro foi caminhando sozinho. Quando terminei, também tive essa impressão. O livro traz a visão de Júlia sobre Laura. Os sentimentos de Laura, na verdade, não se revelam. Laura está ainda aqui, comigo, esperando o próximo livro. 
Você trouxe duas personagens muito fortes e que trazem a questão de que uma não teve esperança do dia de amanhã ser melhor e simplesmente não aguentou, enquanto a outra em certo momento acaba até pensando desta forma, entretanto, em meios aos problemas, ainda consegue encontrar forças e esperança de que o amanhã será melhor e que há motivos para viver. Sempre foi sua intenção criar esses dois lados de adolescentes com problemas e que sentem uma dor enorme e acabam não sabendo o que fazer, mas que tem uma visão diferente de tudo isso? 
Sim, essa questão foi uma das poucas que ficou certa em minha cabeça antes da escrita ser iniciada. Eu queria que Júlia e Laura tivessem as afinidades necessárias para serem grandes amigas, mas que percorressem caminhos opostos diante da vida, diante das possibilidades inúmeras quando se deparassem com os problemas do dia a dia. 

Ao mesmo tempo em que temos uma personagem que comete suicídio, você trás com delicadeza e realidade o sofrimento dos personagens ao redor da Laura. Você teve alguma dificuldade para desenvolver a história destes personagens a partir do momento em que a Laura se suicida? 
Sim! Escrever as partes em que a própria Júlia fala de sua saudade foi bem difícil. Eu sentia junto com ela... Trazer o sofrimento da mão de Laura também foi angustiante, mas necessário... Escritor e Personagem se misturam nessas horas... 
A Júlia se envolver com Bernardo depois de tudo e ele ser de alguma forma uma ajuda para ela sempre foi o que você queria? Porque para leitoras como eu, não consegui gostar deste personagem e não que eu o culpe pelo o que aconteceu, porém, a Júlia se envolver com ele trás o conflito de que de alguma forma ele é um dos motivos do que aconteceu, porém, ao mesmo tempo temos o significado de que a Júlia merece continuar sua vida e ser feliz. Então, trazer esse conflito foi algo do que você desejava para a história desde o início? 
Foi sim! Porque foi um conflito que permaneceu em minha cabeça durante toda a escrita. Na verdade, permanece até agora. Essa é uma daquelas situações em que podemos enxergar a história por vários pontos de vista, tentando encontrar quem estaria certo ou errado. Acho que todos os dias passamos por questões assim: ficamos entre o que queremos e o que podemos ou devemos fazer, entre pensar somente em nós mesmos ou nos importamos em magoar os outros... 
Também temos dois lados de ser mãe e do que enfrentar pelo ou por causa do seu filho em A Teia dos Sonhos. Júlia viu sua família se acabar, enquanto a Laura tinha a melhor mãe do mundo e mesmo assim não encontrou motivos para viver. Foi muito complicado trazer a diferença entre essas duas mães, mesmo depois do suicídio da Laura, porque uma tenta melhorar como mãe, enquanto a outra entra em uma depressão profunda? 
Assim como as filhas, as mães também percorrem caminhos diferentes. Para criá-las, fiquei um tempo observando as tantas “mães” que passam pela minha vida. Imaginando como cada uma reagiria. Fui juntando um pouquinho de cada uma. 
  
Você teve alguma dificuldade para escrever o livro no sentido da escrita? Porque você trouxe temas fortes com uma escrita leve e jovem que é bem fascinante, porém, pode ser complicado no momento de escrever. 
Confesso que fiz uma primeira versão na minha linguagem natural, um pouco mais formal, sem me regular muito para não perder a inspiração. Depois de o livro estar finalizado, fui readaptando a escrita, trazendo o vigor de um linguajar mais jovem e descontraído. 
A Teia dos Sonhos sem dúvida é um livro que pais e filhos deveriam ler porque ele é muito importante para a sociedade em um todo e acredito, sinceramente, que todos deveriam tê-lo na estante, por isso gostaria de saber se você tem noção da importância do seu livro para as outras pessoas? 
Fico muito feliz diante de uma pergunta como essa! Apesar da boa repercussão do livro, eu ainda falo sobre ele com certa timidez, ainda me surpreendo com seu alcance. 
Existe alguma possibilidade de A Teia dos Sonhos ter uma continuação? Se sim, você tem alguma data prevista para lançar esta continuação? E o que poderíamos esperar desta possível segundo livro? 
Certamente terá! E será um livro narrado por Laura. Ele deve sair no final desse ano ou início de 2018. Estamos em negociação sobre as datas. Espero que seja logo! 
Para encerrar, gostaria de pedir para você deixar um recado para os leitores do seu livro que se tornaram, assim como eu, seus fãs. 
Cada um de vocês me faz acreditar cada vez mais que a literatura é meu lugar no mundo, o que dá sentido à minha vida! Escrever uma história que possa alcançar um coração é motivo pra viver com sorriso de orelha a orelha. Todo carinho recebido é e sempre será recíproco! 

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1 de junho de 2017


Olá, leitores e leitoras! Tudo bem com vocês? Hoje estou com a já conhecida coluna de Livros Lidos e hoje, venho mostrar para vocês os livros lidos em maio. 
Infelizmente este mês tive um certo bloqueio e acabei não lendo o que eu queria. Porém, gostei dos livros que li e isso sem dúvida é o mais importante,
Sem mais enrolar, vamos para a lista!

O Jogo da Verdade – Kézia Martins

Comecei o mês lendo o livro da Kézia que também é uma blogueira. Eu não posso ler livros digitais, porém, realmente estava curiosa para ler o livro da Kézia, afinal, admiro demais o trabalho dela como blogueira, então, mesmo não podendo, eu li O Jogo da Verdade. 
Foi uma ótima leitura para começar o mês, sem dúvida alguma. Leve, O Jogo da Verdade trás um mundo adolescente da qual a gente faz ou já fez parte. É uma história permeada pelo jogo dos sentimentos e com personagens cativantes, 

Doce Amargo – Evelyn Santana

Eu só tive leituras maravilhosas este mês, porém se tivesse que escolher por qual estou mais apaixonada, sem dúvida alguma seria por esse. Fazia tanto tempo que eu não pegava um romance que realmente me agradasse tanto. 
Com personagens maravilhosos, a escritora é realista ao descrevê-los com qualidades e defeitos. Um romance de tirar o fôlego que é fofo, apaixonante e emocionante. Doce Amargo é aquela história que você lê fissurado em saber o final, pois deseja que ele seja maravilhosamente doce, porém, tem medo de que ele seja dolorosamente amargo.

Um Passeio No Jardim da Vingança – Daniel Nonohay 

Acho que nunca terei palavras para descrever o que é este livro para mim. Sinceramente, sou completamente apaixonada por ele, mas estas palavras parecem poucas para descrever a importância dele para mim. 
Foi o primeiro suspense que eu li e de verdade, ainda estou completamente impactada pela história e por tudo que nela acontece. 
A tecnologia completamente avançada que torna-se nossa aliada ao mesmo tempo em que é nossa inimiga, realmente é fascinante. Um jogo de vingança, onde cada um tem algo a pagar, da mesma forma que tem algo a cobrar. Este livro me fez sair da zona de conforto e perceber o que estava perdendo.

Até Eu Te Possuir – Soraya Abuchaim

Este livro foi o segundo suspense que li, minhas expectativas estavam bem altas e só o que posso dizer é que a autora conseguiu superar todas as minhas expectativas.
Até Eu Te Possuir trás uma história de uma mulher aparentemente tão banal, porém, logo nas primeiras páginas percebemos a importância da história desta protagonista. Este é aquele livro em que a crueldade de sua história é fascinante, por mais estranho que seja isso. Trás temas fortes para ser discutido como o relacionamento abusivo e mostra com clareza os sentimentos de quem sofre com isso. É sem dúvida uma história de nos deixar impactados.

Riscos no Amor – Josy L. Dias

Encerrei o mês com Riscos no Amor e posso dizer que foi ótimo. Comecei com uma história leve e terminei da mesma forma. 
Um completo romance, Riscos no Amor mesmo que não tenha me agradado em tudo, foi uma história perfeita para ler depois de um livro tão forte quanto o que tinha lido. 
Divertido, trás uma história de amor à primeira vista que seria capaz de tudo para provar à pessoa amada que realmente a ama.


Pessoal, essas foram as minhas leituras do mês de maio e espero que junho seja tão maravilhoso quanto. E vocês quantos e quais livros leram em maio? Foram boas leituras? Me contém aqui nos comentários e sigam o blog para alcançarmos a meta de 150 seguidores!
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27 de maio de 2017

Livro: Riscos no Amor
Autora: Josy L. Dias
Editora: Pangorga
Páginas: 320
Elizabeth Ann Willams é uma garota rica e bem-sucedida da cidade de Nova York, onde é dona de uma famosa consultoria de arquitetura junto com suas amigas. Liza ama o trabalho e a cidade, mas agora precisará deixar tudo de lado por uns tempos para ir ao casamento da mãe com o famoso empreendedor irlandês Arthus Blinner III, que será realizado na praia onde costumavam passear quando seu pai ainda estava vivo.
Brady Blinner é o filho mais novo de Arthus. Sua vida se baseia em trabalho, luxo e mulheres. Ele namora uma top model e tem a vida perfeita. Mas, apesar de sua namorada deixá-lo livre para se aventurar com outras mulheres, Brady sente que ainda falta algo. Isto é, até ele conhecer Liza. Ela é jovem, linda e inteligente, e não está disposta a se entregar a ele como as outras, o que faz com que Brady a deseje ainda mais. Não pelo desafio, mas pela inegável atração entre os dois, algo novo e surpreendente.
Em meio a tantos medos e riscos, Liza será capaz de se deixar envolver por um homem incerto? Ou deixará de viver um grande amor para proteger seu coração?
Rica e muito bem-sucedida, Elizabeth tem uma vida estável e se pode dizer, feliz. Porém, não uma felicidade completa, pois ela está atrás de um príncipe encantado. Quer viver um romance de verdade, não as aventuras repentinas que tinha em sua vida. Terminou com seu noivo por não amá-lo. Ela quer viver um amor. Porém, esse sonho terá que esperar um pouquinho, ou não. Sua mãe se casará com Arthus e ela precisa deixar sua empresa, suas amigas... tudo para ir para o casamento de sua mãe.  Liza – como chamam-a — ainda pensa na possibilidade de encontrar seu príncipe encantado lá, ela não poderia estar mais certa ou errada ao pensar isso.
Brady, é o filho mais novo de Arthus. Muito rico, ele vive para o trabalho, luxo e mulheres. Ele namora uma modelo, Sam, que é o sonho de todos os homens, porém, ele a trai constantemente com diversas mulheres e ela sabe disso. Parece ser a vida perfeita para um homem. Entretanto, ao ver pela primeira vez, Elizabeth, ele perceberá que quer mais. Quer mais do que tem. Quer outro tipo de vida. Ela pode até não se encaixar nos padrões de beleza do mundo, afinal, ela não é tão linda compara a Sam para os outros homens, porém ela é linda para ele. É o padrão perfeito para ele.
Só que nem tudo são flores e corações apaixonados. Até porque, Brady Blinner, o sedutor, está longe de ser o príncipe encantado com quem Elizabeth sonhou. Ela não quer se entregar. Precisa resistir, mas sempre que vê aqueles lindos olhos, se entrega mais um pouco ao charme e sedução do filho mais novo de sua agora, padastro.
Riscos no Amor é um romance que nos trás a protagonista Elizabeth Ann Killams. Liza é uma protagonista que nos chama a atenção no início. É bom ver que ela sabe quem se é de verdade. É bonita e não nega isso. Está atrás de um romance verdadeiro e acaba encontrando um homem sedutor que pode ser bem diferente do que ela esperava. Eu gosto da personagem em si, porém, no início da história ela é mais cativante do que no desenrolar de tudo. Acredito que ela perde um pouco da essência da Liza que vemos no início.
Acredito que a Liza se perde justamente pelo nosso segundo protagonista, Brady. Infelizmente, ele não me cativou. No início não achei que não fosse gostar dele, porém, ele é um protagonista que eu não gosto. Como é um romance que trás uma história de amor à primeira vista, o personagem muda radicalmente de um dia por outro. Em um dia ele está com duas mulheres sendo um cafajeste e no outro aquela paixão que sente por uma até então desconhecida o faz ser o homem mais romântico do mundo, e mesmo essa sendo a proposta do livro, não me agradou, porém, isso não me fez desistir da história e muito pelo contrário, eu gostei de embarcar nesta história e vou dizer o porquê.
"Eu sei que você me incentivou a não ter medo do amor, mas não quero me entregar a uma pessoa que vai me machucar."
Riscos no Amor é narrado em primeira pessoa e temos dois pontos de vistas. São dois pontos de vista por cada capítulo, sendo eles narrado pelos protagonista, Liza e Brady. O ponto de vista da Liza é onde as coisas realmente acontecem e o único necessário. O ponto de vista de Brady é só as cenas dele com a Liza pelos olhos dele, então, com essa mudança irracional dele, acabava ficando cansativo ler a narração pelo ponto de vista dele.
O da Liza sem dúvida, por ser o que faz as coisas acontecer é o melhor e acho ele mais sútil. Como falei o início da história a personagem é mais fascinante porque durante a história, acredito que a personalidade dela se perde com o outro protagonista. Porém, mesmo assim, é mais sútil a mudança dela porque querendo ou não, ela sonha com um romance, só não imaginava que seria com Brady. Uma coisa muito importante que a escritora trouxe com verdade e que foi muito bom é que a Liza não acredita totalmente nessa mudança de Brady, até porque gente, ele muda de um dia para o outro. Então por mais que essa mudança da parte dele seja chata,por ser tão repentina, no momento em que Liza tem o pé atrás com tudo isso, vemos algo com o qual se identificar com a personagem.
"Você me faz feliz só de estar assim comigo e isso para mim é amor ou paixão, porque a única coisa que já senti realmente foi desejo. Mas tudo com você parece tão maior que me assusta."
A escritora conseguiu trazer a minha paixão por personagens coadjuvantes e isso sem dúvida foi ótimo. Eu só queria que ela tivesse explorado mais esses personagens que ela desenvolveu tão bem. Em alguns momentos eu estava louca para parar de ler sobre mais algum presente que o Brady tinha dado para a Liza, pois só queria saber mais da Amanda. Essa sem dúvida é a minha personagem favorita. A personalidade cativante, atrevida e apaixonante é encantadora. Um ponto que adoraria ter visto mais era a relação da Liza com a mãe porque, afinal, sua mãe estava se casando novamente, seu pai tinha falecido há um tempo e seria interessante ver essa relação das duas. Até porque no início da história temos essa relação delas e é fascinante, sem dúvida alguma. Samantha é uma personagem que praticamente não aparece e eu realmente gostei dela. Isso também leva a um ponto em que adorei a escrita da autora. Ela criou um amor da Samantha pelo Brady real e isso não fez a modelo querer vingança ou coisa do tipo como vemos em algumas outras história. Era verdadeiro o que ela sentia por ele, ao ponto de desejar que ele ficasse com a outra, só para vê-lo feliz.
"Uma vez eu ouvi alguém dizer que o amor acontece de formas e em tempos diferentes, conforme a pessoa. Acho que a nossa relação está indo super rápido, porém é mais forte do que o de qualquer outra."
Mesmo que eu tenha levantando essas questões em relação aos personagens, preciso dizer que Riscos no Amor foi um livro que eu li no momento certo. Eu tinha acabado de ler uma história bem mais forte e densa de alguma forma, então pegar um romance simples, fofo – porque mesmo não gostando da mudança dos personagens, tiveram muitas cenas fofas –, e leve foi a melhor coisa que fiz. Esse livro é aquele que nos faz ler com calma, ele tem uma sutileza ao nos levar para a leitura e isso sem dúvida alguma foi essencial.

Eu amei saber que terá uma continuação com os meus personagens favoritos, David e a Mandy – Amanda –, e quero muito ler o livro porque eu acredito que por serem personagens tão diferentes da Liza e do Brady, muitas coisas irão mudar. As personalidades dos personagens diferenciam uma história muito bem da outra e estou bem ansiosa para me aventurar por esse outro romance.

Fora o romance dos protagonistas, o livro trás uma questão de família bem interessante, mesmo que nem tão explorada. O amor e o cuidado do Brady pela Mandy sem dúvida foi o que mais me fascinou no personagem, mas não só isso, a família em si, um cuidando do outro trás uma parte importante para a história. E mais, está sempre nos lembrando que o amor não é só entre um casal, mas sim entre amigos, família e pessoas com quem nos importamos.
"Aprendi que temos que aproveitar o que a vida nos oferece. Aproveite o amor que ele está te oferecendo..."
Leve e simples, Riscos no Amor nos prende na história logo no início e nos leva para uma uma história de amor regado pelo romance em si. A vontade de amar e ser amado junto com o medo de se entregar. Levando em conta a importância do amor na vida das pessoas, o leitor se conecta do forma simples. A leitura é tão leve que quando você perceber está virando a última página desta história.
"Será que ele era o meu príncipe encantado? E eu? Poderia ser a fada que ele tanto falava?"
Adquira
 Saraiva 
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23 de maio de 2017

Livro: Até Eu Te Possuir
Autora: Soraya Abuchaim
Editora: Ella
Páginas: 284
Johanna Dorne é uma mulher que perdeu todas as pessoas que amou. As tragédias de sua vida começaram com um acontecimento marcante quando ela tinha 13 anos.
Três décadas depois, ela se transformou em uma mulher solitária, confusa e inclinada à autocomiseração, que não consegue manter contato social com ninguém. Até conhecer Michel Brum, um homem charmoso e misterioso que a resgata de sua vida patética, devolvendo-lhe a felicidade há tanto tempo perdida. Só que Michel acaba mostrando que não é tão perfeito assim, e um segredo mortal jogará Johanna novamente em um abismo.
Em 2011, aos 41 anos de idade, Johanna é uma mulher literalmente solitária. Morando sozinha, ela não tem família, amigos e muito menos algum relacionamento amoroso. Já está acostumada com sua vida pacata, até porque, era melhor viver assim do que ver mais alguém ir embora ou morrer.
Johanna tem em suas memórias todos que de alguma forma foram importante em sua vida, independente se de uma forma boa ou de uma ruim, morreram ou a abandonaram. Ela se vê como alguém amaldiçoada, que não merece a felicidade e que veio ao mundo somente para sofrer.
Tudo começou em 1983, o ano em que ela completou 13 anos. Era um marco em sua vida e ela o comemoraria brilhantemente, com uma festa que faria a cidade toda falar. Ela deixava de ser uma criança e se tornava uma pré-adolescente. Garotas queriam festas de 15 anos, mas Johanna era diferente.
Tendo uma família amorosa e feliz, ela tinha uma vida perfeita. Tudo era maravilhoso, porém o ano de 1983 provou para ela que nada era perfeito e que a partir daquele dia, aquele contos de fadas estava se tornando sua maior desgraça.
Hoje em dia, após tantas perdas, Johanna se vê sozinha, mas isso poderá mudar. Um belo dia, ela conhecerá Michel Brum. O homem charmoso que parece estar encantado com Johanna e disposto a conquistá-la. Por mais que tenha medo de provocar mais uma perda em sua vida, ela se deixa envolver por aquele homem aparentemente perfeito.
Pela primeira vez em muitos anos, Johanna não está mais sozinha e parece estar tendo uma vida realmente maravilhosa. Porém, enquanto acha que Michel a salvou do abismo, ele poderá estar novamente jogando-a para lá. Johanna tentou mais uma vez ser feliz, entretanto, o acaso que pode não ser tão acaso assim, acaba lhe mostrando que pelo visto, ela não nasceu para ser feliz.
Johanna Dorne é realmente aquela protagonista que você entende a importância da história dela ser contada. Ela não é só mais uma. Acompanhar a trajetória de uma mulher que sofre demais de uma forma que seria impossível explicar a dor dela, é fascinante. Os sentimentos do leitor se intercalam junto com as da protagonista. Mesmo após cada tragédia em sua vida, ela tenta se reerguer e é impossível não torcer para que tudo der certo, porque ela merece. Johanna se sente como uma pessoa amaldiçoada e não é para menos, desde os 13 anos, sua vida se torna uma sucessão de tragédias sem fim. Era apenas uma adolescente que foi obrigada a aprender a se virar no mundo sem nunca desistir, porque ela realmente tentava, mas o que chamamos de destino, parecia não gostar dela.
O que quero dizer com isso é que a escrita da escritora é essencial de uma forma que ela não se perde. As emoções de Johanna são fortes e com uma escrita real e verdadeira, é possível sentir tudo. Johanna é uma protagonista sensacional e o leitor consegue entender a essência e os sentimentos dela.
"Quando você vive uma vida inteira achando que é amaldiçoada ou coisa parecida, deveria ficar aliviado por saber que, afinal, nada é por acaso, nada é coincidência, e os fatos são tão sólidos quanto uma rocha que precisa ser demolida para destruir."
 Os capítulos são intercalados entre o passado e o presente, porém, no passado temos várias "partes" dele, portanto tem hora que vamos para 1983 da vida de Johanna e às vezes vamos para 1990, entre outros anos. Isso tudo sendo intercalado com momentos do presente.
É um livro de suspense, mas não imaginava que fosse tão instigante. O passado de Johanna, no início mascarado com aquela superficial perfeição e felicidade que ela e o leitor acredita existir em sua vida, é surreal. A sucessão de acontecimentos que começam a destruir a sua vida faz o leitor sofrer com a garota de 13 anos, porém faz também com que queiramos virar mais uma página e mais uma, sem nunca parar até chagar na última página. O que mais gostei neste suspense do passado da protagonista, é que as escritora nos deixa imaginar o que pode acontecer, como se desse pistas, mas no próximo capítulo já imaginamos que estamos loucos e que não irá acontecer algo assim, porém, quando de fato acontece, ficamos surpresos e as peças do início do quebra cabeça começam a se juntar.
O passado de Johanna trás sentimentos conflituosos para o leitor, porque é impossível não se colocar no lugar da garota. Ela tem apenas 13 anos, portanto, é impossível querer ser uma completa adulta, porém, mesmo assim, ela é obrigada, pois as tragédias presentes em sua vida são demais para que ela seja só uma adolescente. Ela é obrigada a seguir em frente e ser forte para o que a vida mais uma vez vai lhe reservar. 
"Uma mulher fraca é o pior inimigo de si mesma."
O presente, no início parece que só teremos uma mulher solitária e sem vida, fruto das consequências de seu passado. Porém, logo quando Johanna, agora com 41 anos conhece Michel, percebemos que seremos levados para mais uma parte forte da vida da protagonista. Depois de tantas tragédias é natural que a personagem e o leitor acreditem que o mesmo vá acontecer com este homem bonito e charmoso. Mas com Michel é diferente. Ele que no início é aparentemente perfeito, vai aos poucos mostrando sua verdadeira personalidade. Relacionado a isso, um ponto importante na escrita da Soraya e que me fez realmente amar a escrita dela, é que ela vai deixando amostras de quem este personagem é realmente, de uma forma sútil ela mostra o quanto ele afeta a vida de Johanna e o quanto ela se torna dependente dele. No final, a autora não faz tudo acontecer do nada, sem uma explicação plausível. É tudo feito com calma, e junto com Johanna, o leitor vai sendo levado para aquelas situação sem ao menos perceber. Isso para mim foi um dos pontos altos da história.
Ao contrário de tudo o que acontece no passado, Johanna se vê em uma forma nova de vida. Por mais que tente mascarar isso, ela sabe que está em um relacionamento abusivo, só não entende o porquê. Uma parte importante deste relacionamento e que sem dúvida foi fascinante, voltando mais uma vez para a escrita da autora é a forma como ela caracteriza os sentimentos da personagem em volta deste relacionamento abusivo. Eu nunca vive um relacionamento abusivo, e como qualquer coisa, acho que só quando vivemos podemos entender a dor de algo, como um relacionamento abusivo. Afinal, como entender uma pessoa que se submete a um relacionamento assim? Bom, Até Eu Te Possuir explica isso muito bem. Com a escrita leve, este livro trás acontecimentos fortes. O leitor consegue entender como a Johanna se prende naquele relacionamento, deixando-se sujeitar a atitudes impensáveis de tão horrendas. Isso sem dúvida é algo que prende o leitor, até porque, fora isso, sempre fica a pergunta: "Quem é Michel verdadeiramente e o que ele quer?"
"Mal algo, no fundo, dizia que ela podia se enganar, que o passado cobra um preço alto de quem ousa deixá-lo para trás, onde é o seu lugar, de fato."
Até Eu Te Possuir é o segundo suspense que leio, e assim como o primeiro, esse livro me fez ver como esse gênero é fascinante. Uma história permeada por tragédias, onde a culpada parece sempre ser a protagonista, te leva para algo a mais. Algo que quando você descobrir, tudo vai fazer sentido e você vai estar perguntando como alguém pode escrever algo tão magnífico.
Como sempre digo, a escrita do autor é a base de uma boa história e a escrita de Soraya Abuchaim é a base de uma história surpreendente e magnífica. Ela é uma autora que não tem muita dó do coração do leitor, e sinto muito lhe dizer, você vai chorar porque ela em algum momento vai dar fim a vida de um personagem que você gosta. Mas, sejamos realista, na maioria das vezes, os melhores autores são assim.
Até Eu Te Possuir trás questões sérias e que são discutida em toda esta história. Além de um suspense, este livro fala da importância de uma família, mesmo que às vezes ela não seja constituída por um pai e uma mãe. Uma família pode ser constituída por uma tia, um tio. Um amigo. Não importa como, o que importa é o amor que nela existe. Trás também a força que uma pessoa tem que ter para se reerguer e quão guerreira ela é por isso. Como já disse, temos uma questão muito forte do relacionamento abusivo, e até mesmo uma pessoa que não sabe muito sobre este assunto, irá entender e compreender os sentimentos de uma pessoa que se submete a algo assim, porque você vai sentir os sentimentos da protagonistas. Nas páginas de Até Eu Te Possuir temos uma história fascinante e cruel. O leitor irá ler do início ao fim e irá sentir que aquele história faz parte de si mesmo.
"Quando quebramos um laço de confiança, mesmo que tecido por anos de convivência, fica difícil fazê-lo voltar à forma de antes. E para que um laço se rompa, basta uma atitude, uma frase, uma palavra."
Até Eu Te Possuir é uma história que com simplicidade se torna extramente forte. Você, leitor, será levado para essa história, intercalada entre o passado e o presente e vai ficar fascinado com a crueldade que pode ser a vida de uma pessoa. Você não conseguirá parar de ler até ter terminado tudo e mesmo assim, sua mente não conseguirá se desconectar da história. Até Eu Te Possuir vai fazer você sentir seu coração bater cada vez mais rápido. Vai ficar com a respiração falha. Irá reler alguns parágrafos para ter certeza de que não está ficando louco. Irá sentir tantos sentimentos ao mesmo tempo que não conseguirá explicar. Irá amar. Irá sofrer. Sofrer mesmo. Poderá chorar. E quando terminar, perceberá que por mais cruel que seja tudo aquilo, você quer mais. A partir do momento em que ler Até Eu Te Possuir, a história é como se fosse sua e você desejará que não tenha fim, porque precisa acompanhar mais da vida daquela protagonista tão fascinante. Esteja mais que preparado para viajar nesta história permeada por tragédias e sem dúvida alguma, se entregue.
"Esse seria o preço por ter causado tantos males a tantas pessoas: viver como uma sombra do que um dia, há tantos anos, sonhou ser."
Adquira
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19 de maio de 2017

Livro: Um Passeio no Jardim da Vingança
Autor: Daniel Nonohay
Editora: Novo Século
Páginas: 304
Seja bem-vindo ao nosso futuro! As grandes cidades convivem com a divisão entre as “zonas vigiadas” e suas periferias. O uso de drogas e medicamentos é disseminado, sendo controlado por laboratórios. Implantes cibernéticos são uma realidade, aumentando capacidades e aptidões, como a de memória, para aqueles que conseguem arcar com os custos. Religiões e grupos terroristas alimentam-se do descontentamento e das diferenças sociais. Vamos acompanhar a história de Ramiro, um advogado de meia-idade, drogado, rico e sem objetivos, que tenta dar algum sentido a sua vida, após quase ser morto. Em meio à luta para retomar o controle do seu Escritório, que havia abandonado aos sócios, descobre um segredo que poderá destruir a todos os que o rodeiam e coloca a sua vida em risco. Um passeio no jardim da vingança é um caleidoscópio de anti-heróis em um mundo onde a tecnologia aumentou dramaticamente as nossas potencialidades, mas não nos tornou livres da própria natureza humana.
Ramiro é um advogado, viciado em drogas, ricos e sem objetivos, que perdeu o prazer de viver. Porém, ele é quase morto e isso o faz querer voltar a sua vida. Voltar para seu cargo de importância no Escritório, entretanto os outros sócios parecem não querê-lo de volta e por isso fazem de tudo para impedi-lo.
Ramiro é casado com Amanda. Uma mulher rica e linda, que chama a atenção de tudo e de todos com sua beleza. Entretanto o casamento deles não é nem um pouco maravilhoso, isso porquê quatro meses após o casamento, Ramiro começou traí-la descaradamente e Amanda, por vingança começa o trair com um dos sócio do Escritório. Ele sabia e ela sabia das traições dele. Era como se tivessem acertados as contas. Não brigaram, apenas seguiram com o casamento.
Depois de ter quase morrido e de querer voltar para seu cargo antigo e ser impedido pelos outros sócios, Ramiro começa sua vingança. Buscando dados e informações que acabariam com todos eles. Ninguém no Escritório era bonzinho e muito menos um santo, inclusive Ramiro, portanto, para esse, com toda a tecnologia a sua volta, não foi tão difícil encontrar esses dados, porém, ele logo foi descoberto e então, a partir deste momento, os outros também desejavam sua vinganças e o alvo era Ramiro. Todos buscam alguma vingança de uma forma ou de outra. A tecnologia tão avançada, afinal estamos no futuro, foi boa por um lado, mas conseguiu destruí-los sem nem ao menos terem percebido. Enquanto buscam por vingança, não percebem que estão acabando com eles mesmos. Um Passeio no Jardim da Vingança tem como protagonista a natureza humana.
Um Passeio No Jardim Da Vingança é dividido em dua partes, que são denominadas de Livro I e Livro II, porém, essas partes também são subdivididas em duas partes. A proposta inicial do livro parece ser que Ramiro será o nosso protagonista e de certo modo ele é, porque é por causa dele que toda a história acontece, porém, com vários personagens, todos os outros ganham destaques por suas histórias. Por suas vinganças. Até porque a história é narrada pelo ponto de vista dos múltiplos personagens, mostrando que todos são protagonistas. A razão disso é que não são os personagens os protagonistas, e sim suas personalidades. Suas naturezas humanas e é isso que conduz Um Passeio No Jardim Da Vingança.

Acredito que esse é o primeiro suspense de verdade que leio, até porque quem acompanha o blog sabe da minha paixão por romances e dramas. Bom, sendo a minha experiência com um suspense, eu estava muito ansiosa e cheia de expectativas e o que posso dizer é que simplesmente preciso ler mais livros desse gênero. A forma como Um Passeio No Jardim Da Vingança nos prende na história é surpreendente.
"Não me recordo se cheguei a perceber o que era, mas o instinto fez com que eu me abaixasse.
E o mundo explodiu."
Um ponto muito importante da história é que nenhum de seus personagens são heróis, na verdade eles são anti-heróis. Todos são ruins e bons, alguns mais ruins que outros. Isso é algo que me agradou e até me assustou um pouco. Daniel Nonohay trás uma verdade surpreendente para seus personagens, e isso me agradou porque não existe aquele personagem perfeito, muito pelo contrário e me assustou porque a realidade com que ele trás os personagens é até cruel em certo ponto, mas isso me ajudou muito na leitura porque me fez querer ler cada vez mais. Ao mesmo tempo em que mesmo com essa realidade até um pouco cruel, Um Passeio No Jardim da Vingança é aquele livro que te faz amar uns personagens e odiar outros, porque independentemente de você odiar um e amar outro, todos são fascinante.
O Ramiro é o meu favorito, sem dúvida. Ele por ser de base o protagonista porque desencadeia toda a história, é um personagem que tem muitos defeitos, mas que ainda assim é possível amá-lo, pelo menos para mim. Ele é vazio e isso é triste. Perdeu a vontade de viver e não vê graça em nada, então acredito que isso trás um lado sentimental para a história.
A Amanda, juntamente com Ramiro, é a minha personagem favorita. Primeiramente por ser a única personagem mulher da história, mas por também ser uma personagem forte. A beleza dela é surreal e ela sabe que é linda, então isso foi fascinante pra mim na personagem, porque em uma história tão cheia de tecnologia, com tantos homens, pensei que ela fosse se perder, mas muito pelo contrário, ela acaba se desenvolvendo e mostrando o que e quem ela é realmente.
Outro ponto muito importante, é que mesmo sendo um suspense, não consegui deixar o romance de lado. E eu sei, parece errado, mas eu realmente torcia para que o Ramiro e a Amanda terminassem juntos de uma forma em que eles pudessem entender seus sentimentos um pelo outro, porque sim, eu acredito que eles se amavam por mais que isso seja um ponto de interrogação no livro.
"Ela sempre me tratou bem, mesmo depois de me odiar. Mas ela me amou e, como dizem na mesa de carteado, a sorte não trata bem quem a despreza."
Um Passeio No Jardim Da Vingança é uma história que se passa no futuro, onde a tecnologia é algo do qual hoje não podemos nem imaginar e ela dominou completamente o mundo, consequentemente, as pessoas. O uso de drogas e medicamentos é algo plenamente espalhado, digamos assim, não é algo errado ou coisa assim, porém, só quem tem realmente dinheiro é que pode ter acesso a eles e aos melhores. Esses pontos da história são realmente surpreendentes e faz a mente do leitor viajar. Como imaginar que no futuro talvez iremos implantar um chip de memória em nosso cérebro? E mesmo que a tecnologia do futuro não seja exatamente igual a do livro, esta história trás um questão importante sobre até onde a tecnologia nos levará, afinal ela tem suas qualidades, isso não resta dúvidas, entretanto, como uma sociedade que hoje já é dominada pela tecnologia viverá no futuro. Será que não existirá mais contato humano? Porque isso é uma das coisas que a tecnologia trás. Um Passeio No Jardim Da Vingança nos fascina mostrando aquele futuro, ao mesmo tempo em que trás questionamentos sobre o que somos e o que nos tornaremos? O que o futuro aguarda?
"Éramos uma plateia, pairando sobre o mundo externo e seus participantes envoltos em poluição, angústias e insegurança. Vidros que imaginariamente nos transformavam em observadores, e não em participante das misérias diárias."
Este livro é realmente um suspense. O escritor conseguiu criar uma história onde você acompanha tudo com a respiração acelerada, entendem? Enquanto está lendo, mil e uma perguntas pairam em nossa mente. "Sera que ele vai conseguir?" "Como ele vai fugir?" "Ela está envolvida nisso?" "Ele vai morrer?", é como se a nossa mente não parasse por um só segundo e nos envolvemos mesmo na trama, ficando surpresa com o quanto aquele suspense pode ser tão arrebatador.

Entretanto, mesmo sendo um suspense, acredito que o autor poderia ter desenvolvido um romance de verdade entre o Ramiro e a Amanda, porém, ao mesmo tempo, é compreensível o porquê de não termos essa parte com significância. Só, que claro, para o leitor que se envolve com esses personagens, como no caso eu, acaba sentindo a falta disto na história.
"Reconhecer a verdade e refletir sobre ela, contudo, é insuficiente. O mundo das nossas pretensões e vontades é, também, o mundo daquilo que ainda não foi feio."
Infelizmente, algumas coisas não me agradaram tanto, não no sentido de me fazer querer parar de ler, até porque me fez querer ler ainda mais só para ver se era real mesmo o que estava acontecendo, porém, quando terminei o livro, foi um pouco frustante estes pontos. Por exemplo, o que acontece com Ramiro, é algo que eu não gosto. Não consigo acreditar que no final de tudo, a história poderia ser daquela forma para este personagem. Eu, neste ponto, esperava mais, queria que não tivesse acontecido o que aconteceu, não porque gosto do personagem e queria que ele se tornasse um herói, muito pelo contrário. Acho que Ramiro era um personagem com mais do que nos foi dado e por isso queria que tivesse sido diferente.
A forma como a Amanda termina na história foi completamente frustante. Em partes eu me surpreendi, porque não era algo que eu imaginava que fosse acontecer, porém, foi um surpreendente ruim, porque sinceramente não entendo como uma personagem que passa o livro todo em desenvolvimento, mostrando o quão forte é, pode simplesmente escolher o que escolheu para sua vida. Porém, é bem claro que temos uma ponta ali do que ela pode fazer em um futuro, talvez ela não tenha simplesmente feito tal escolha verdadeiramente e possa estar atrás de outra vingança. Espero sinceramente que seja isso.
O final em si dá uma ideia de que pode ter outro livro, espero que sim. Afinal, não gosto do final dos personagens. Não sei é possível, mas queria que de alguma forma o final de Ramiro fosse outro, e que desenvolvesse como falei, o romance entre ele e Amanda. Alguns personagens, como o Fábio não merecia o final que recebeu. Até, porque, o Fábio é um dos personagens que mais odiei e ele não merecia ter conquistado o que e quem conquistou no final.
Bom, pelo o que vocês podem ver, este livro tem aquela história que te faz pensar que os personagens são seus e que eles devem terminar da forma que você deseja, por isso expus minha opinião e vontade com relação aos personagens, porque esse foi o ponto alto do livro. Um Passeio No Jardim Da Vingança te faz imaginar aquele mundo, se envolver nele, mexer com suas emoções e te faz sentir milhares de sentimentos.
"Você realizava o que havia sido combinado ou não. A vida não era construída com o histórico das desculpas. Era construída por uma cadeia de consequências."
Um Passeio No Jardim Da Vingança é um livro onde o autor claramente depositou tempo, dedicação e conhecimento, porque se não tivesse deposito um desses três elementos, seria impossível criar uma história tão real, verdadeira, emocionante e surpreendente. Essa história é cruel em um nível que fascina e sabe o porquê? Porque tendo como protagonista a natureza humana, Um Passeio No Jardim Da Vingança trás a realidade para sua história. Afinal, a vida é cruel. As pessoas são conduzidas por suas emoções e tornam-se vingativas. E o mundo é permeado por mentiras. Quando o leitor embarca nesta história está sendo conduzido para o futuro, porém, ele é levado para a vida, é levado para a realidade cruel da qual se vive hoje em dia. Não é preciso estar no futuro, mas este livro te mostra isso com mais clareza. Até porque o leitor tem que ter consciência de que não está sendo levado apenas para o futuro, e sim para dentro da humanidade, com suas emoções, sentimentos e vinganças. Esteja preparado.
"Mais do que tudo, ele não tinha motivação para seguir em frente. Para continuar apenas por uma eventual vingança, se algo houvesse para ser vingado. A vida era assim. Algumas vezes você ganhava. Na maioria das outras, você simplesmente perdia. E se quisesse sobreviver, ir em frente, tinha que aceitar isso."
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