22 de janeiro de 2017

Magia é Sonhar Entrevista Diana Scarpine


E ai, pessoal! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo ótimo. Estou muito feliz porque o Magia é Sonhar realizou sua primeira entrevista.

Quando pensei em fazer entrevistas com autores que eu conseguisse contato, imaginei que não daria certo. Pensei que ninguém fosse aceitar ou que as perguntas e respostas não fossem ficar interessante, entretanto, deu tudo certo. A primeira entrevista do Magia é Sonhar é com a maravilhosa e super simpática, Diana Scarpine, autora de Uma Chance Para Recomeçar.
Recentemente li o livro dela, já postei a resenha aqui no blog e todos que me conhecem sabe o quanto fiquei fascinada com essa história. Eu precisava saber mais, falar sobre a história com a própria autora e queria saber mais sobre ela, que foi capaz de escrever essa história tão fantástica.
A Diana, muito simpática como sempre, aceitou dar essa entrevista e só posso dizer que foi maravilhoso! Eu amei! Parecia mais uma conversa do que uma entrevista séria. Diana, muito obrigada pela entrevista.
Agora, sem mais enrolação, vamos para a entrevista!



Magia é Sonhar: Como surgiu a vontade de escrever? Era um sonho de infância?
Diana Scarpine: Eu não sei se posso dizer que foi um sonho de infância, mas a vontade de escrever surgiu quando comecei a gostar das aulas de redação do colégio (na sexta série). A professora era muito boa e estimulava a escrita; mas, naquela época, eu achava que, para ser escritora, eu precisava ser alguém extraordinário e viver grandes aventuras (coisa de criança). Um ano depois, eu assisti ao filme Adorável Sedutora (um filme bem antigo da década de 1980. Já era antigo quando eu assisti), que é a história de um escritor bem atrapalhado que está com um bloqueio criativo. Além de engraçado, o filme me mostrou que os escritores são pessoas comuns, são como qualquer pessoa e que eu, então, poderia ser escritora. Aí, comecei a escrever. Eu tinha 13 anos na época.

MS: Quais são seus livros ou autores preferidos? Em quem você se inspira?
DS: Minha primeira inspiração foi e ainda é Machado de Assis, porque me apaixonei pela forma como ele conversa com o leitor. Das obras dele, as que eu mais gosto são Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Iaiá Garcia. gosto também de José de Alencar (principalmente Senhora, Lucíola e A Viuvinha), acho a crônica social de Jorge Amado interessante (principalmente porque ele fala da Bahia e, dos que eu li dele, prefiro Dona Flor e seus dois maridos), gosto também dos livros Mariana e O Segredo de Sophia de Sussana Kearsley e A Arte de Ouvir o Coração de  Jan-Philipp Sendker e gosto da forma como Clarisse Lispector consegue ir fundo nos sentimentos dos personagens.

MS: Você tinha algum receio ou medo de publicar seu primeiro livro?
DS: Meu primeiro livro publicado é “Entrelace: Caminhos que se Cruzam ao Acaso” (a primeira edição está esgotada), que publiquei em fins de 2012 e eu não conhecia nada do mercado literário. Meu sonho era publicá-lo então... na época, eu não pensei em medos. Eu estava mais preocupada em realizar um sonho. Então, não tive medos.

MS: Fugir dos padrões de "romance clichê" foi difícil?
DS: Não. Porque eu sempre gostei de ler livros que me fizessem perguntar ao fim da leitura: é uma história real? Ou ao menos baseado em uma história real? Prefiro personagens imperfeitos; pois na vida real ninguém é perfeito.

MS: Como surgiu "Uma Chance Para Recomeçar" para você? Quando foi que você percebeu que essa era uma história que merecia ser contada?
DS: Não teve um momento único. Foram vários momentos, mas tudo começou quando eu estava voltando do trabalho a pé no trânsito louco de Jequié. Na minha frente, ia um cego com sua bengala. Eu não o conhecia (ainda não conheço), mas fiquei observando sua desenvoltura. Chegou um momento em que ambos (eu e ele) íamos atravessar a rua (ele mais na frente, eu estava uns 5 metros atrás). Ele conseguiu de primeira passar no meio de todos aqueles carros, eu não. Só consegui atravessar um tempo depois. Mas aquela imagem do cego atravessando a rua ficava sempre voltando na minha cabeça, a certeza de quão hábil ele é, apesar de ser cego, até que eu percebi que eu precisava escrever uma história com um personagem cego.

MS: Isso entra um pouco na próxima pergunta: Aurélio e Carina são inspirado em alguém específico que você tenha conhecido ou não?
DS: Não são inspirados em nenhuma pessoa. Acho que todo bom escritor(a) precisa ser um bom (boa) observador(a), pois em situações cotidianas podem estar sua inspiração. Aquele cego foi o ponto de partida, mas não me inspirei nele como pessoa (não é a história dele) e observei vários outros cegos depois dele. Em uma parte da minha vida, eu conciliei o trabalho e o mestrado e fiquei muito atarefada e muito estressada. Talvez isso tenha contribuído para que eu construísse Carina (seu vício em trabalho), mas eu não era uma workaholic. A história de Carina não é a minha. Hoje, concílio o doutorado com minha atividade de escritora e com a minha família.

MS: Sempre foi importante para você destacar a nossa cultura na história, como os cantores brasileiros citados no livro Uma Chance Para Recomeçar?
DS: Sim, para mim, é muito importante falar do Brasil, da nossa cultura e da nossa sociedade. O livro se passa em Jequié, mas os problemas que retrato que acontecem lá, também acontecem na maioria das cidades brasileiras. E a melhor trilha sonora para uma história assim, na minha opinião, tinha que envolver cantores e compositores nacionais.

MS: Focando um pouco mais na história de Uma Chance Para Recomeçar, que é o livro resenhado pelo blog Magia é Sonhar, você pensa ou já pensou em escrever algo a mais sobre o Aurélio e a Carina?
DS: Não haverá um segundo livro deles, mas eles estão no meu terceiro livro (que é narrado por outro casal de protagonistas). Então, dá para ter uma noção do depois deles. Assim como dá para saber um pouco do depois de Henri e Carol de Entrelace em Uma Chance para Recomeçar. Não é necessário ler em ordem, até porque eles são livros com um final já bem definido.

MS: É muito nítido o amor de Aurélio por Amália. Em uma suposição, se Aurélio e Carina tivessem se conhecido antes do acidente, mas ele já fosse casado, teria a possibilidade de Léo se apaixonar por Carina mesmo tendo uma vida maravilhosa com Amália?
DS: Não, creio que não. Quando Amália era viva, só existia ela para Aurélio. E Carina, tímida do jeito que é, também não se interessaria por um homem casado, nem se aproximaria dele. No início do livro, ela está tão centrada no problema dela que nem o nota, o que a faz notá-lo é justamente o fato de ele precisar de ajuda. Quando ela percebe que o problema dele é maior que o dela, surge o interesse.

MS: Então, se Amália tivesse sobrevivido ao acidente, também não existiria a possibilidade de Aurélio se apaixonar por Carina? Mesmo depois do acidente?
DS: Não, não haveria. Nem ele por ela, nem ela por ele.

MS: Trazer em palavras o preconceito do personagem consigo próprio, mostrando, às vezes, sentimentos muito fortes contra si próprio, foi difícil? Além de lidar com o preconceito dos outros, Aurélio era preconceituoso com ele mesmo. Foi difícil descrever esses sentimentos?
DS: Não, não foi difícil. Infelizmente, o preconceito é um sentimento muito presente na sociedade brasileira. Se você não corresponde em todos os aspectos aos padrões apregoados pela mídia como perfeitos, então, você pode ser alvo de preconceito e essa própria sociedade leva as pessoas a acreditarem que, se não atendem aos padrões, não são boas o suficiente. E isso inclui as pessoas com deficiência. Pelos meus estudos sobre o assunto (estudo a deficiência desde a graduação) e vivência, o autopreconceito é muito presente na forma como muitas pessoas com deficiência encaram sua deficiência; mas muitas pessoas com deficiência também repudiam o preconceito. Mas é preciso muita autoestima, muita força para ir contra os padrões da sociedade.

MS: Você teve alguma dificuldade para desenvolver os personagens de Uma Chance Para Recomeçar?
DS: Eu pesquisei para desenvolver a história, mas já tinha conhecimento da questão da deficiência (que, como já falei, estudo desde a graduação), mas tive que estudar mais um pouco sobre deficiência visual e me deter um pouco na observação de cegos. Além disso, para dar veracidade ao personagem, no início da história, eu fechava os olhos e andava pela minha casa, tentando usar meus outros sentidos para sentir e ver ao meu redor.

MS: Tem alguma cena escrita que não está no livro, mas que gostaria de compartilhar com os fãs?
DS: Não. Tudo o que eu escrevi está lá. Não tirei nada.

MS: Já está trabalhando em algo novo? Talvez para esse ano ainda?
DS: Estou trabalhando no terceiro livro que pretendo publicar (será a história de Andressa e Cristiano), mas creio que não será publicado este ano. Entre Entrelace e Uma Chance para Recomeçar há uma distância de 4 anos. Não sei qual será a distância entre Uma Chance para Recomeçar e o “três” (como eu o chamo, pois ainda não tem um nome definido).

MS: Acredita que conseguiu transmitir a mensagem que queria com Uma Chance Para Recomeçar?
DS: Sim, acredito que sim.

MS: Se fosse dizer algo para si própria antes de lançar seu primeiro livro, o que seria?
DS: Pesquise mais sobre o mercado literário antes de lançar Entrelace.

MS: Para encerrarmos, tem algo a dizer para seus leitores, seus fãs?
DS: Gostaria de dizer aos leitores e fãs que as minhas histórias são sempre feitas com muito carinho no intuito, não apenas de diverti-los, mas também de fazê-los refletirem sobre problemas que estão presentes na sociedade brasileira atual como o preconceito e a falta de acessibilidade.


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3 comentários:

  1. Adorei participar da entrevista, Gabriela! Muito obrigada pela oportunidade!

    Abraço,
    Diana Scarpine.

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  2. Olá, tudo bom? Não conhecia o livro e nema autora, mas ela pareceu ser bem simpática e a entrevista ficou ótima. Vou procurar mais sobre o livro pra eu ler <3

    Beijos
    https://resenhaatual.blogspot.com.br/

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  3. Amei a entrevista, ainda não conhecia a Diana nem seus livros. Amei demais! ❤

    www.kailagarcia.com

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