Resenha | Apenas Um Ano – Gayle Forman

Livro: Apenas Um Ano
Autora: Gayle Forman
Tradutora: Ana Paula Doherty
Editora: Novo Conceito
Páginas: 352

Em Apenas um Dia, os momentos de paixão entre Allyson e Willem foram interrompidos de maneira abrupta, lançando a jovem em um abismo de questionamentos e dor. Agora a história é contada pela voz de Willem. Sem saber exatamente o que o atraiu na garota de olhos grandes e jeito comportado, o rapaz inicia uma busca obsessiva por pistas que levem até a sua Lulu mesmo sem saber sequer o seu nome verdadeiro.
Enquanto tenta compreender o mistério que os separou, Willem se esforça para costurar relacionamentos desgastados e procura respostas para o futuro. Mais do que uma aventura de verão, o encontro em Paris significou para ele o início da vida adulta.

Gayle Forman é uma das minhas escritoras preferidas e Apenas Um Ano é a continuação de Apenas Um Dia (para ler a resenha clique aqui). Ao contrário do outro, esta continuação não fala sobre como os "acasos" podem afetar o seu destino e quem você é. Fala sobre tudo nem ser obra do acaso, mas sim, uma escolha sua. Em uma narrativa leve e romântica, Apenas Um Ano veio para mostrar que talvez não é jogar na sorte ou ao acaso, e sim fazer a sua sorte.

Começamos a história de Apenas Um Ano com Willem em um hospital, sem se lembrar de muita coisa. Ele tem pesadelos e não entende bem o que está acontecendo, mas aos poucos vai se lembrando. Vai se lembrando de "Lulu" que ele deixou para trás e que deve estar procurando por ele. Desesperado para encontrá-la, ele deixa o hospital, mas ainda sim não se lembra de muita coisa, então não sabe exatamente onde encontrá-la e mesmo quando se lembra, ela já foi embora e não tem como encontrá-la, pois nem o verdadeiro nome dela, ele sabe.
O início da história é com Willem procurando por Lulu, e durante essa busca percebemos que a forma com que ele era visto por Allyson em Apenas Um Dia, não é exatamente como ele demonstra ser. Com vários relacionamentos inacabados, percebemos que Willem é uma pessoa que talvez tenha medo de criar laços. Aquela segurança de saber quem realmente se é que ele apresenta ter para Allyson, não é bem verdadeira.
Apenas Um Ano se passa durante o ano em que Willem e Allyson passam separados após passarem aquele dia juntos, e o melhor desse segundo livro é conhecer quem Willem é de verdade. Eu tinha uma ideia completamente diferente dele em Apenas Um Dia.
Willem precisa aprender que não pode deixar que o destino, o acaso ou a própria sorte decida sua vida. Ele nem sempre poderá ser levado pela vida sem tomar decisão alguma. Ele precisa aprender que é um homem, e que um homem de verdade toma decisões e faz escolhas.
Willen ensinou tanto a Lulu sobre buscar quem se é de verdade, mas na realidade, ele não sabe quem realmente é e está acostumado que a vida lhe fale isso, mas em um momento ele precisará enfrentar o medo, a insegurança. O passado. Precisará fazer escolhas por ele mesmo.


Em Apenas Um Dia acompanhamos a busca de Allyson pela verdadeira identidade e em como os "acasos" podem afetar sua vida e sua personalidade. Afetar e mudar quem se é. Em Apenas Um Ano, ao contrário de Allyson, Willem está acostumado com os acasos e entrega sua vida a eles. Ao destino. Ele realmente acredita que tudo que acontece em sua vida é um acaso, e que se for para ser, a vida vai se encarregar disso, sem que ele precise decidir nada.

Conhecer Willem te leva a mundo de viagens e momentos, até porque, para o personagem tudo é a base do momento. Mesmo vivendo uma das fases mais deprimidas de sua vida, sem entender realmente o porquê, afinal, Lulu, foi apenas mais um relacionamento de sua vida, que não teve realmente um final, mas que a vida colocou um ponto final. Percebemos que para o próprio personagem é estranho e diferente estar querendo saber mais sobre uma garota. Estar procurando-a.
Nesta busca, conhecemos vários relacionamentos de Willem acabados sem realmente terem um final e então, entendemos que ele precisa aprender a terminar as coisas. A tomar decisão, mas ele nunca faz isso.

"Eu me pego desejando o anonimato da estrada, onde não se tem passado nem futuro, apenas um momento no tempo. E, se aquele momento viesse a ser pegajoso ou desconfortável, haveria sempre um trem partindo para o próximo momento."

O romance desta história não me encanta, sinceramente, acho ele tão desnecessário. Eu acredito que ambos foram importante um para o outro, mas que essa importância não deveria ser levada ao típico romance de que um só mudou pelo outro. Da mesma que Willem teve um significado importante para que Allyson conseguisse encontrar quem se é de verdade, Allyson tem uma importância muito grande para Willem entender o significado de dominar a sua vida. De conduzir sua vida. De fazer escolhas. Entretanto, mesmo que um tenha muita importância para o outro, eles só conseguem realmente mudar a partir de uma atitude deles mesmos. De uma força de vontade deles mesmos.

O ponto alto da história e o melhor, sem dúvida é a relação dele com a família, no caso, sua mãe, Yael. No começo, achei um pouco complicado você entender a história dos pais de Willem, mas isto não é um ponto ruim da história, porque essa complicação se deve ao fato dos problemas de Willem com os pais, principalmente com a mãe, sendo que seu pai morreu.
A relação dele com a mãe e o desenvolvimento desta relação no decorrer da história é o que para mim, faz o Willem entender que o acaso nem sempre vai decidir a sua vida. É viciante quando chegamos na parte em que achamos em que Yael não se importa com o filho – é isso que Willem pensa –, e depois ela demonstra se importar, mas então acontece algo simples e realmente pensamos que ela realmente não se importa, que ele é só um produto da relação com o amado e falecido marido. Para mim esse é o ponto alto da história porque foi o principal motivo que me fez realmente querer ler o livro.



No decorrer daquele ano percebemos que Willem e Allyson passaram por vários lugares ao mesmo tempo e não se encontraram, mesmo que um tenha procurado desesperadamente o outro e achei isso muito interessante para a trama. Quando ele começa se envolver realmente com a peça de teatro, onde ele realmente se dedica é a partir dai ele começa a tomar decisões. Começa a dar um rumo para sua vida e Kate é uma personagem que foi muito importante para esse momento na vida dele.

Como sempre, a narrativa da Gayle Forman é surpreendente, mesmo que seja muito simples, ainda mais em um livro sem um tema necessariamente impactante. Apenas Um Ano traz a beleza da escrita simples e do enredo leve. Como em Apenas Um Dia, esse também traz uma reflexão muito interessante e importante, que acredito que todo mundo passe e precise passar e pensar nela. Vai chegar uma hora em que vamos crescer e que vamos precisar tomar decisões, que vamos literalmente ter que tomar as rédeas das nossas vidas. No caso de Willem, ele entregava tudo ao destino, mas podemos levar isso para todas as situações da nossa vida. Não teremos nossos pais tomando as decisões por nós. Não vamos ser levado sempre pelo o que é obrigatório, vai chegar uma hora que até estudar é uma decisão sua. É você quem faz a sua vida, é você o responsável pelo o que ela vai se tornar. É você o responsável pela sua felicidade. Está é a mensagem e a principal reflexão de Apenas Um Ano.

Você já tomou as rédeas da sua vida?

"Há uma diferença entre perder algo que sabia ter e perder algo se descobriu ter. Uma é decepção. A outra é perda de verdade."

3 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Obrigada por sua visita e comentário lá no blog. Fiquei feliz de saber que se agradou do meu cantinho. Já estou seguindo aqui e em suas redes sociais.
    Eu gostei da sua resenha, pois você soube exemplificar bem os pontos fortes e que te interessaram durante a leitura. Infelizmente este livro não funcionou pra mim. Achei chato e desnecessário. Sei lá.
    Também curti seu cantinho e te desejo sucesso!
    Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  2. Oie
    Eu adoro os livros desta autora, sempre me prendem e emocionam. Curti este enredo e já quero ler.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  3. Gostei bastante da resenha. Acho que é aquele tipo de livro que dá uma chacoalhada na gente: depois de um grande susto, ou crescemos ou permanecemos estagnados. E crescer, é lógico, é a melhor opção!

    Bjinhos,
    ❥ AmigaDelicada.com.br

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