Resenha | Apenas Um Dia - Gayle Forman

Livro: Apenas Um Dia
Autora: Gayle Forman
Tradutora: Ana Paula Doherty
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384

A vida de Allyson Healey é exatamente igual a sua mala de viagem: organizada, planejada, sistematizada. Então, em uma excursão de formatura para a Europa, lea conhece Willem. De espírito livre, o ator sem destino certo é tudo o que Allyson não é. Willen a convida para adiar seus próximos compromissos e ir com ele para Paris. E Allyson aceita. Essa decisão inesperada a impulsiona para um dia de riscos, de romance, de liberdade, de intimidade: 24 horas que irão transformar a sua vida.

Apenas Um Dia, é o quarto livro que leio da Gayle Forman, e qualquer pessoa que conheça o mínimo que for de mim, sabe do respeito e da admiração que tenho por ela. Com uma narrativa simples e rápida que fala de amor e de mágoa em uma busca pela identidade própria, Apenas Um Dia conta como os "acasos" do destino pode fazer uma pessoa se perder e ao mesmo tempo se encontrar.

A história começa com Allyson na Inglaterra em uma excursão que ganhou de presente dos pais. Porém, mesmo com sua melhor amiga ao seu lado nesta viagem, Allyson mostra não estar se divertindo, o que seus pais odiariam. Eles gastaram dinheiro para dar aquele presente a ela e era para ela estar feliz, então ela fingi estar.
Allyson é uma adolescente que tem toda a sua vida planejada desde cedo, como sua mala de viagem. Ela tem todos seus horários anotados, tem aulas extras para conseguir entrar na faculdade de medicina, suas notas são as melhores. Ela realmente parece ter tudo sob controle. Mas não é verdade.
Fazendo algo que a Sra. Foley, a instrutora da excursão não imaginaria que ela faria, afinal, Allyson é a melhor pessoa daquela excursão, ela mente, não vai assistir a peça de Hamlet e sim a Noite de Reis, uma peça também de Shakespeare, apresentada na rua. Mas não é a peça que chama sua atenção, e sim, Willem, um dos atores da peça.
Perto do dia de ir embora, Allyson encontra Willem mais uma vez, apenas por acaso. Em uma conversa divertida e onde já percebemos um certo clima de romance, o Holandês em vez de apenas se despedir dela, a convida para uma viagem. Uma viagem à Paris. E, mesmo sendo algo que ela nunca faria, Allyson aceita. Aceita passar 24 horas com um estranho conhecendo Paris. Apenas por um dia.



Apenas Um Dia é o primeiro livro da Gayle Forman que leio que não traz um tema mais forte ou polêmico, como nos outros, onde tinha a espiritualidade ou a depressão e o suicídio como em Eu Estive Aqui. No começo, achei que seria frustante ler esse livro, por já estar acostumada com a autora falando de temas tão fortes, e pegar esse livro foi meio que um susto. Mas, pelo contrário do que eu imaginava, o livro me levou a uma reflexão que posso dizer que estou mudando por causa dele, isso sem necessariamente estar falando de algo polêmico ou coisas do tipo.

A intensidade com que Gayle Forman consegue descrever o momento é tão incrível que te leva realmente a pensar que é a personagem. Quando Allyson viaja com Willem para Paris, a personagem sente a emoção de estar indo conhecer uma cidade que queria conhecer e seus sentimentos são mais intensos, afinal, ela está viajando com um estranho. Gayle Forman consegue colocar todos eles no papel e nos fazer sentir tudo que Allyson sente.

O porquê da história pra mim é a busca pela identidade própria e como o destino pode afetar isso. Allyson, em sua vida toda controlada, não é quem realmente é ou quer ser, ela é o que os pais – principalmente a mãe –, quer que ela seja e no decorrer de cada página percebemos isso. Quando está com Willem, um estranho que não sabe seu nome, já que a chama de Lulu, ela pode ser quem realmente é, sendo Lulu.
Willen é um ator que viaja há dois anos, sem voltar para casa. Sedutor, ele encanta as garotas, e isso acaba confundindo Allyson um pouco, pois, ela se pergunta: Ele me convidou para essa loucura porque está interessado em mim ou não? Ao decorrer do dia deles, Allyson conhece várias garotas que de alguma forma parecem ligadas a Willem, ligadas da mesma forma que a Allyson, como se fossem, cada uma deles, as garotas de apenas um dia.

O melhor da história é que o romance entre eles não é importante. Porque, sinceramente, não senti uma química entre eles. Não que eu não goste deles. Separados, eles são personagens ótimos, bem construídos, mas juntos não são nada de mais. Para mim, eles são aquele casal que tanto faz se vão ficar juntos ou não, que se ficarem ou não, não afetará a história.
Então, a história, por mais que se baseie em cima deles, não ser algo que está só focado no romance dos protagonistas, foi ótimo. Até porque, Apenas Um Dia, tem muito mais a oferecer do que um romance bobo.

"Ele me mostrou como me perder, e então eu mostrei a mim mesma como me encontrar."

No decorrer do dia e dos momentos, Allyson vai percebendo que quer viver mais ou diferente do que vive. A Allyson que ela foi até aquele dia não é Allyson que ela realmente é, ou quer ser. O livro fala muito sobre Shakespeare e suas peças (o que amei), e eles levantam uma questão ótima, que me fez pensar: A questão não é ser ou não ser, mas sim, como ser?. Como ser? Quem ser? Por que ser?
Todos nós uma hora nos perguntamos se somos quem realmente queríamos que fossemos. Eu me pergunto quem sou, me pergunto se sou quem realmente quero ser, me perco em mim mesmo. Essa é a reflexão do livro.

Sendo dividido em duas partes, onde a primeira narra o apenas um dia de Allyson com Willen e a segunda começa um ano depois desse dia e durante todo esse tempo, acompanhamos a busca de Allyson pela própria identidade, tendo que resolver as coisas em sua vida, para poder descobrir quem se é, como contar para a mãe que não é seu sonho estudar medicina ou falar mandarim e sim francês. Que a vida que a mãe planejou, não é a vida que ela quer. Não é a sua vida. Ela precisa falar, mesma que magoe a mãe. Ela precisa enfrentar o que estiver por vir, para aprender que talvez não seja sempre a mesma pessoa na vida, mas tem que sempre ser a pessoa que quer ser.


Descrevendo sentimentos tão bem, Gayle Forman realmente conseguiu passar a mensagem que queria com esse livro, que imagino ser: Você é quem realmente é? Você quer ser quem você é hoje? 
Os acasos do destino, que é muito mencionado no livro, pode mudar muita coisa na vida de muita gente. Nunca seremos uma pessoa só, como Allyson, talvez ainda não sejamos quem realmente queremos ser, mas precisamos mudar isso e nos tornar quem queremos ser, pelo menos neste momento.

E aí, você é quem quer ser?

"Diga um dia e se esqueça do para sempre. Que depois de um dia vem o coração partido. Não é atoa que ela não lhe dirá quem realmente é.
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5 comentários:

  1. Já pensou embarcar numa viagem dessas inesperada? Queria eu kkkk ia na hora!

    Bjinhos,
    ❥ AmigaDelicada.com.br

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  2. Olá, tudo bem?
    Só li um livro da Gayle, e foi uma ótima experiência.
    Gostei da resenha e já coloquei na lista.
    Beijos e seguindo aqui.

    http://excentricagarota.blogspot.com.br

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  3. OOOOOOOOOI

    eu também tenho muito respeito pelos livros da Gayle!
    Ja li 4 livros dela e não me arrependo, sério. Esse eu ainda não li e quero muuuuuuito, porque realmente confio na sensibilidade e leveza da escrita dessa linda

    beijo
    beinghellz.com

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  4. Oie
    Eu adoro os livros da autora, sempre me prendem e eu leio desesperada. Ainda não li este e fiquei curiosa pelo enredo.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  5. Adorei o post, fantástico! Fiquei curisosa!
    Obrigada pelo teu comentário!
    Beijinhos grandes,
    Love is the new black

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