ENTREVISTA | Soraya Abuchaim fala sobre seus livros, contos e sobre projetos futuros

A escritora conhecida como Dark Queen, tem dois livros físicos publicados, diversos contos na amazon, um projeto no wattpad, um canal no YouTube e está sempre envolvida em projetos com outros autores nacionais. Fã de Stephen King, Soraya Abuchaim é uma escritora que realmente mostra o valor da literatura brasileira.
Soraya no lançamento de seu livro, A Vila dos Pecados.
Você é uma escritora que começou com um blog “Meu Meio Devaneio”, tentei encontrar o blog, mas só encontrei a página no facebook. Sua primeira atualização na página foi no dia 16 de outubro de 2012. Você começou a escrever por meio deste blog ou você já escrevia bem antes de “Meu Meio Devaneio” ser criado? 
Eu já escrita antes, mas eram coisas muito pessoais. Então, eu criei o blog para poder expor meus pensamentos e também para conversas sobre livros com as outras pessoas e acabei começando a escrever alguns contos. Então, foi ele que me motivou a ir além.
Permitir que os outros lessem o que você escrevia foi difícil? Como você lida com as críticas?
Foi difícil porque acho que eu não estava preparada para lidar com críticas quando eu comecei. Depois de um tempo a gente fica calejada, hoje eu lido bem com as críticas, mas no começo foi difícil porque achava que o mundo iria acabar se alguém não gostasse e a gente esquece que nós mesmo não gosta de tudo, que é uma questão de gosto e a gente nunca vai agradar todo mundo.
Recentemente você com organizou e escreveu um conto “O Mal em Nós” para a antologia “Arquivos do Mal”. Como foi realizado este projeto que conta com outros diversos autores? Poderia nos dizer como é trabalhar com tantos escritores em um único projeto? Teve algum empecilho até chegar ao resultado final?
Trabalhar com tantos autores é um desafio, mas na antologia "Arquivos do Mal" eu tinha a ajuda da Glau Kemp, não foi só eu que organizei, então a Lilian e a Glau deram um suporte. E assim, eu acho que o maior empecilho foi lidar com as pessoas que não foram aprovadas porque dá uma dor no coração, a gente quer aprovar todo mundo, fico sentida de ter que falar para algumas pessoas que elas não passaram e não é porque elas escrevem mal, mas é que a gente acaba selecionando os que de alguma forma foram melhores e tem muita gente boa que ficou para trás. Então, eu acho que este é o maior empecilho, é, mas foi muito bacana e escrever este conto foi muito divertido porque ele tinha que complementar o conto da Glau, então eu peguei o bonde andando e foi a primeira vez que eu tive que moldar a minha escrita em algo, geralmente eu escrevo o que me vem na mente, mas foi muito interessante.
Você pode nos contar um pouco sobre este seu conto, “O Mal em Nós”, escrito com a Glau Kemp?
Esse conto fecha a antologia "Arquivos do Mal", então a gente tem várias localidades de São Paulo tidas como assombradas onde uma equipe de pesquisadores tentam descobrir a origem do mal, só que o meu conto vai um pouco mais além porque ele mostra que o mal tem origem em nós mesmos e não em coisas que a gente acha que podem dar origem a ele.
No projeto “Maldito Seja” que está sendo disponibilizado no Wattpad, você e a Glau Kemp intercalam os capítulos, cada uma escrevendo um e queria saber como isto funciona? Como vocês conseguem dar continuidade na história sem se perderem no desenvolvimento da mesma? Vocês são muito parecidas no momento de criar, escrever e desenvolver a história?
Eu e a Glau somos muito parecidas na escrita e com nossos gostos pessoais. O legal de "Maldito Seja" é que nenhuma das duas sabe como é que vai terminar, a gente vai escrevendo e principalmente eu que fico voltando no tempo, a cada capítulo que escrevo, ela fala: "não acredito que você fez isso, o que vou fazer com a minha personagem agora?", então acaba sendo um pouco de surpresa para as duas. A gente optou por ser assim, o que uma escrever acaba sendo surpresa para a outra e então pegamos o gancho para continuar. Está sendo muito divertido. Por enquanto demos uma parada nas postagens por causa de outros projetos, mas vamos voltar.
Livro A Vila dos Pecados, lançado em maio deste ano, 2017.

Vocês têm planos de tirar a história da plataforma do Wattpad e publicá-la com uma editora?
Temos. A nossa meta é terminá-lo e publicar em versão física.
Seu conto “Madrugada Macabra” foi publicado neste ano e entrou para a lista de mais vendidos da Amazon. Poderia nos contar um pouco sobre este conto que sem dúvida é um sucesso?
Madrugada Macabra surgiu de uma ideia minha uma vez em que fui ao chaveiro e eu vi lá: "Chaveiro 24 horas", aí eu imaginei o que esses caras que atendem chamada 24 horas o que eles não devem ver, então juntei com a minha sede de sangue e saiu Madrugada Macabra. Eu gosto muito deste conto porque para mim foi um desafio por ser a primeira vez que escrevi pouco e completo. Então outros contos que são assim, mas é uma dificuldade gigantesca escrever pouco e foi depois dele que eu consegui escrever outros contos, inclusive o da antologia. É até uma dualidade essa dificuldade de escrever pouco porque eu comecei escrevendo contos, mas depois que eu peguei o gosto para escrever bastante parece que eu desaprendi, então foi com este conto e eu adoro a história dele. É um dos meus queridinhos.
Você está realizando uma série de vídeos para o seu canal no YouTube com dicas de escritas baseado no que você aprendeu com Stephen King. Como e quando surgiu esta ideia de produzir tal conteúdo? Quando as 9 aulas acabarem, você pensa em continuar produzindo conteúdo para o youtube?
Essa ideia surgiu depois de tanta pessoas me perguntarem o que eu fazia para escrever e porque eu já tinha um artigo escrito sobre o que eu aprendi com Stephen King porque eu prendi escrever muito ele e aí eu fiquei com esta vontade em passar em vídeo porque eu sei que para as pessoas é mais dinâmico. E eu pretendo sim continuar fazendo conteúdo para o YouTube, inclusive com coisas que os leitores, os parceiros estão me dando de ideia. 
Até Eu Te Possuir traz um relacionamento abusivo e sua escrita permite que o leitor sinta o que a protagonista sente, seja o conflito, a necessidade de encontrar a felicidade e então se tornar dependente daquela pessoa e principalmente, o leitor se sente como a protagonista nos momentos em que ela realmente percebe estar fazendo parte de um relacionamento abusivo. Você sempre quis trazer o relacionamento abusivo para sua história, permitindo o leitor entender e discutir sobre o tema? Fazer o leitor sentir-se realmente na pele da protagonista sempre foi proposital para você?
Eu gosto muito desta questão do relacionamento abusivo porque não se fala muito disso ou se fala a partir de uma ótica um pouco fantasiosa. Para mim sempre foi proposital, embora eu tivesse muito receio que não desse certo. Tocando neste assunto, hoje um leitor me procurou falando que adora isto que eu faço de fazer o leitor se sentir como se fosse o personagem e isto para mim, é a maior recompensa porque é sinal de que eu consegui, afinal, uma coisa é a gente querer fazer, outra é a gente conseguir.
O livro de Até Eu Te Possuir, lançado em 2016.

Como você já disse em algumas entrevistas, começou a escrever A Vila dos Pecados porque queria uma história que se passasse em uma vila, mas a partir da vila, como foi que você decidiu e desenvolveu os personagens? Sempre quis trazer um padre como o protagonista da história? 
Eu nunca tinha pensado em fazer um padre como protagonista, mas a partir do momento em que eu pensei nos pecados porque eu achava a vila um lugar bem propício para pessoas que escondiam segredos e eu achei que era uma oportunidade boa de eu trabalhar alguns personagens caricatos, a beata fofoqueira, o prefeito controlador. Então quando pensei nisto e nos pecados, pensei também que deveria ter uma contrapartida para o pecado e ninguém mais que um padre, só que eu queria um personagem, um padre que as pessoas realmente ficassem do lado dele, que amassem ele , não queria fazê-lo ser ruim, por isso surgiu o padre Alfonso.
A Vila dos Pecados é um livro que consegue realmente desenvolver um suspense e consegue também fazer o leitor criar suspeitos, tentar entender e fio deixa preso na história. Ao lermos, temos a noção de que você consegue desenvolver sua história muito bem e traz o assassino da história deixando os leitores com a respiração acelerada e ansiosos por respostas e entendimento. Desde o início, você sempre soube quem seria o assassino da história ou não, você ainda tinha dúvidas de quem seria?
Eu soube desde o início que seria este assassino, mas eu não sabia o que iria acontecer com ele no final, então assim, até quase terminar o livro eu não sabia o que iria fazer com este assassino porque eu não queria que ele fosse pego, se não iria acabar com a graça porque eu queria uma investigação que não chegasse a lugar nenhum, mas também queria que o leitor desconfiasse, entretanto, pensasse que não é possível e aí ficasse com aquele desconfiança. Esta era a minha ideia.
Você sempre está envolvida em muitos projetos, seja com contos, lançamentos, antologias, seu site, vídeos e muito mais, sendo que podemos acompanhar bastante pelas redes-sociais. Como você faz para administrar tudo? E você acha que participar e desenvolver projetos ajuda na sua carreira de escritora?
Eu não sei como faço para administrar tudo porque às vezes acho que vou ficar louca, mas eu amo tudo isto e eu acho que eu participar de tantos projetos me ajuda porque as pessoas precisam me ver, se eu ficar escondidinha no meu canto, como as pessoas vão me conhecer, né? Então, eu sou super entusiasta de participar, praticamente topo tudo, mas para administrar eu fico louca, durmo pouco.
Qualquer um que te acompanha, sabe que você ama suspense e terror, tanto que você é carinhosamente chamada de Dark Queen. Queria saber se você nunca pensou em desenvolver e criar uma história de outro gênero-literário que não envolvesse terror e suspense? 
Não. Eu tinha um projeto de um livro de drama que ele ainda tá na gaveta, mas eu não sei se eu conseguiria escrever outra coisa, essa que é a questão, mas lógico que tudo pode acontecer.
Se pudesse voltar no tempo e dizer algo para você mesma quando começou a escrever, o que seria? Você mudaria algo na sua trajetória como escritora?
Eu acho que teria começado antes se eu pudesse voltar no tempo e talvez eu diria para mim não se iludir tanto, ir com calma.
Você tem projetos futuros que talvez já possa nos contar?
Sim, na verdade eu já estou escrevendo o terceiro livro que eu espero conseguir publicá-lo no começo do ano que vem e tem mais um outro, mas eu prefiro deixar em segredo por enquanto. Fora isto, pretendo publicar mais contos na Amazon porque foi muito bacana esta experiência e estou tendo uma boa repercussão e pretendo fazer mais promoções também. 
Para encerrarmos, o que você espera de seu futuro como escritora?
Eu espero conquistar mais leitores, eu acho que como todo escritor, espero e sonho de viver de escrita e nunca parar porque eu realmente amo isto.
Soraya Abuchaim no lançamento da antologia Arquivo do Mal.

6 comentários:

  1. Olá, adorei a entrevista. Eu não sabia que ela tinha canal no YouTube e me interessei... vou dar uma olhada. Beijos
    http://amorliterarioblog.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Olá,
    Ótima entrevista, foi ótimo conhecer mais da autora e os pensamentos dela sobre críticas. Gostei da ideia das dicas no canal, também. Adorei ler Sobre a Escrita!
    Acho que tenho esse livro da Ella no Kindle.

    tenha uma ótima quarta.
    Nana - Canto Cultzíneo

    ResponderExcluir
  3. Adorei conhece-la
    Estou indo lá conhecer o canal!
    Bjus
    Taty
    Na Casa dos Abrantes
    Canal
    Instagram

    ResponderExcluir
  4. Olá, Gabi.
    Gostei bastante da entrevista. Eu acompanhava o blog dela, mas fora o que lia na blog não li mais nada dela. Ainda não consegui ler os contos que tenho aqui no kindle. Mas tenho vontade de ler porque sempre vejo elogios a eles. Assim que der eu vou ler.

    Prefácio

    ResponderExcluir
  5. Oie
    Já tinha visto alguns livros por aí, mas não conhecia a autora. Adorei a entrevista.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Oi
    legal a entrevista, já visitei muito o blog dela e sempre era simpática, dela só li um conto, mas no kindle tenho o e-book até eu te possuir esperando para ser lido.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

    ResponderExcluir