RESENHA | A Linguagem das Flores - Vanessa Diffenbaugh

Livro: A Linguagem das Flores
Autora: Vanessa Differnbaugh
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Victoria Jones sempre foi uma menina arredia, temperamental e carrancuda. Por causa de sua personalidade difícil, passou a vida sendo jogada de um abrigo para outro, de uma família para outra, até ser considerada inapta para adoção.
Ainda criança, se apaixonou pelas flores e por suas mensagens secretas. Quem lhe ensinou tudo sobre o assunto foi Elizabeth, uma de suas mães adotivas, a única que a menina amou e com quem quis ficar... até pôr tudo a perder.
Agora, aos 18 anos e emancipada, ela não tem para onde ir nem com quem contar. Sozinha, passa as noites numa praça pública, onde cultiva um pequeno jardim particular.
Quando uma florista local lhe dá um emprego e descobre seu talento, a vida de Victoria parece prestes a entrar nos eixos. Mas então ela conhece um misterioso vendedor do mercado de flores e esse encontro a obriga a enfrentar os fantasmas que a assombram. Em seu livro de estreia, Vanessa Diffenbaugh cria uma heroína intensa e inesquecível. Misturando passado e presente num intricado quebra-cabeça, A linguagem das flores é essencialmente uma história de amor – entre mãe e filha, entre homem e mulher e, sobretudo, de amor-próprio.
Victoria está no carro de Meredith, sua assistente social. Era seu aniversário de 18 anos e por isso, seria tirada do abrigo para crianças órfãs. Teria três meses de aluguel pago e depois disso, teria que se virar sozinha, Meredith repetiu isto algumas vezes e depois quando Victoria realmente entrou em seu "novo" quarto, foi embora. Agora estava sozinha. Precisava de um emprego. Precisava dar um rumo para a sua vida. Porém, para conseguir isto era necessário querer e Victoria não estava querendo muita coisa, já que nunca pôde ter nada mesmo. 
Depois dos três meses de aluguel pago, ela foi parar nas ruas, dormindo em um praça pública e cultivando um pequeno jardim, afinal, a única coisa que ainda lhe despertava interesse eram as flores. No entanto, mesmo ali, sozinha, Victoria consegue um emprego, mesmo ainda não sendo fixo, em uma floricultura e também consegue um quarto bem pequeno, na verdade, um mini closet para dormir e assim ela começa e seguir com a sua vida. Na floricultura, os clientes desejam que ela escolha as flores, porque como um dom, Victoria consegue ajudar as pessoas com flores e assim, o emprego acaba se tornando fixo.
Tudo estava dando certo dentro das possibilidades, contudo, ao conhecer um misterioso vendedor de flores, os fantasmas de seu passado voltam, mostrando assim o que verdadeiramente a impede de se dar uma chance de ser feliz. Victoria tem a convicção de que sempre estraga tudo e que não importa se tenha mais uma chance de ser feliz, ela conseguirá destruir tudo. Tendo que enfrentar esses medos e traumas do passado, ela terá que entender que merece ser amada por si mesmo e pelos outros.
A Linguagem das Flores está em minha estante desde fevereiro e só pude lê-lo agora, mas, mesmo não me lembrando sobre o que era a história que tinha me interessado e me feito comprar o livro, eu ainda tinha aquela sensação boa de quando pegamos um livro e imaginamos que ele vai ser muito bom. Realmente, ao começar a ler esta história, me encantei e me vicei ao ponto de não parar de ler, porém, A Linguagem das Flores não é uma constante e nem tudo na história é tão bom quanto parece ser.
"– Acredito que você também pode provar que todos estão errador, Victoria. Seu comportamento é uma escolha, não quem você é de verdade."
Victoria é uma personagem humana e que consegue agarra o leitor. Ela é uma personagem que consegue cativar e fazer o leitor se apegar, porém, mesmo entendendo que ela sofreu muito, está sozinha, ainda é irritante quando, mesmo com todas as oportunidades, ela parece simplesmente incapaz de agarrar aquilo e se entregar. No início até entendemos isso, mas, depois, parece que a autora se perde, porque a personagem está se desenvolvendo e do nada volta para a estaca zero, com atitudes totalmente irritantes. Claro, é muito interessante todas as camadas que a personagem é capaz de oferecer, mas, ainda assim, às vezes era muito sem nexo os retrocessos que a personagem tinha.
"Quando nossos olhares se cruzaram, pude ver que ela também tinha chorado. Lágrimas pendiam da sua mandíbula para cair em seguida.
– Eu amo você – disse Elizabeth, fazendo-me voltar a chorar."
Elizabeth é a minha personagem favorita de toda esta história. Ela é a personagem que consegue ter história, se desenvolver e mostrar ao leitor sentimentos, sensações e emoções. Na história em si ela é uma personagem envolvida no passado de Victoria e o que é melhor nela é que no início de sua aparição, provoca aquela desconfiança no leitor ao não se ter muita ideia do que se esperar da personagem, porém, quando vamos entendendo e entrando mais dentro da história de uma personagem tão importante, o leitor acaba desejando acompanhar mais o passado de Victoria com Elizabeth do que o presente.
"Então é assim que termina, pensei, com uma câmera cheia de imagens de uma fazenda de flores à qual eu nunca mais voltaria. Já sentia falta delas, mas não me permitiria sentir falta de Grant."
Grant é o personagem que estraga a história. É o personagem que me fez chegar a última página do livro e realmente pensar que se não existisse ele, a história seria muito melhor. Se alguém gostou dele, me desculpe, mas do fundo do meu coração, é um dos piores romances que já vi. Não tem um porquê, de verdade, é como se autora simplesmente pensasse: "vou inventar um romance, vou arrumar uma ligação entre eles e os leitores que engulam". Já reli o início do envolvimento deles para ver se eu conseguia enxergar algo de sentimento, romance ou qualquer coisa, mas é impossível. É do nada, a ligação do passado é idiota perante tudo e não tem nada de verdadeiro. Infelizmente é isto que se torna maçante na história.
"E, de alguma forma, naquele momento, suas palavras diziam a verdade.
Tive a vaga sensação de ser uma criança muito pequena, uma recém-nascida até, abraçada com força e aninhada e seus braços. Era como se a infância que eu tivera pertencesse à outra pessoa, a uma garota que não existia mais, que havia sido substituída pela que estava refletida no espelho."
E mesmo mostrando estes pontos negativos, eu gostei da história? Sinceramente, gostei. Teve sim coisas que me decepcionaram e que me irritaram, mas, a história, principalmente o passado da Victoria foi tão fascinante para mim que eu não largava o livro e de verdade, fazia tempo que eu não lia um livro com tanta vontade. É triste imaginar que a Victoria, que representa tantas crianças, tenha sido desenvolvida tantas vezes de lares adotivos, voltando para o abrigo novamente. 

Ver a relação que a escritora consegue desenvolver entre a Victoria e a Elizabeth é de emocionar. Uma relação que encheu o coração de uma menina e de uma mulher de alegria e que aos poucos o leitor vai sendo levado para a tristeza da verdade com o que acontece com essas duas personagens tão brilhantes.
"Eu tinha recebido uma chance, uma última chance, e de alguma maneira, sem querer, estraguei tudo."
Como podem perceber, a história é realmente narrada entre presente e passado, sendo, para mim, o passado bem mais interessante. Outro ponto positivo da história são as flores que são a razão de tudo e eu que não entendo nada de flores, fiquei fascinada com o significado de cada uma e durante a história, eu parava e pesquisava só para ver como era a flor. Elas trazem toda a essência da história e fiquei fascinada, porque tinha minhas dúvidas quanto a autora conseguir isto e ela conseguiu.
"– Eu poderia ter contratado outra pessoa. Alguém menos imperfeito ou que pelo menos soubesse esconder melhor seus defeitos. Mas ninguém teria seu talento com as flores, Victoria. É um verdadeiro dom. " 
Acredito sim que o final da história é meio clichê e desanimador, mesmo que ainda tenha um crescimento significativo da protagonista. É como se o leitor percebesse que aquilo não fosse o que de verdade fosse bom para a personagem, mas, como não podemos mudá-lo, podemos ver o que ele traz de bom e ele consegue trazer o desfecho da personagem, pelo menos em relação a sentimentos, emoções e sensações.

A Linguagem das Flores traz a verdadeira mensagem do amor, seja ela entre romances, família ou amigos, mas, principalmente, traz a verdadeira mensagem sobre o amor próprio. Sobre entender que cada um, inclusive nós mesmos, temos valor e que devemos querer viver e ter esse sentimento é fazer escolhas e acima de tudo, se permitir sentir o que a vida tem a lhe oferecer e é justamente com as flores que esta história irá mostrar isto ao leitor.
"Se fosse verdade que o musgo não tinha raízes e que o amor materno poderia crescer espontaneamente, vindo do nada, talvez eu tivesse me enganado ao me julgar incapaz de criar minha filha. Talvez os indiferentes, os rejeitados, os mal-amados pudessem aprender a dar amor com tanta abundância quanto qualquer outra pessoa." 
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4 comentários:

  1. Oi, Gabi. Eu já imaginei que não fosse gostar da personagem principal, isso porque eu acho um saco quando vemos um personagem sofrendo, que tem de tudo para voltar por cima, mas faz aquele mimimi danado e acaba não indo. Vei, eu me irrito demais com gente assim, dá vontade de bater na cabeça da pessoa e falar 'acorda pra vida, garota'. Imagina só um romance que não tem nada de interessante?! Nossa, eu ia chorar de ódio com esse livro, mas por um lado você gostou, então talvez seja realmente interessante.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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  2. Oi, Gabi!
    Aff pra esse cara embuste bem aí. Momento assim dá vontade de dar na cara da pessoa hahhahahhaha
    Eu já tinha visto esse livro por aí mas nunca me interessado. Depois dessa resenha maravilhosa, acho que vou dar uma chance.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do Natal Literário e ganhe prêmios maravilhosos

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  3. Oii Gabi, tudo bem? Tô com esse livro na estante para ler, quero ver se consigo fazer a leitura ainda esse mês. Amei a sua resenha, espero gostar do livro. Feliz Natal!
    - Beijos,Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br/

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  4. Oi Gabi
    Eu tenho esse livro na minha estante há um tempão, mas ainda n li, rs
    Cheguei a ler muitas resenhas positivas sobre ele, mas gostei de ler suas ressalvas sobre a história, pelo menos não leio com muita expectativa
    É ruim demais qnd o casal n tem quimica kkk
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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