RESENHA | Querido Dane-se – Kéfera Buchmann

Livro: Querido Dane-se
Autora: Kéfera Buchmann
Editora: Paralela
Páginas: 224
Sara tem muitos sonhos, mas também vários problemas para enfrentar. Para começar, seu namorado acabou de uma hora para outra com ela e por WhatsApp! Pouco depois, ela descobriu que o desgraçado está namorando uma socialite linda e admirada por muitos. Parou por aqui? Não: Sara, que é estilista de formação, mas trabalha como costureira, atualmente está de plantão na casa dessa socialite, arrumando as roupas dela.
Enquanto lida com o ressurgimento do ex e tenta voltar a achar graça na solteirice, Sara sofre com seu maior medo: fazer trinta anos sem achar a sua cara-metade. Entre lágrimas e muita risada, no entanto, Sara começa a repensar sua vida. E a perceber que está diante de uma pessoa cujos anseios e gostos conhece pouco: ela mesma.
Querido dane-se é a primeira ficção de Kéfera Buchmann, que, sem abandonar o bom humor de sempre, fala sobre autoestima, empoderamento e a importância de compreender os próprios desejos para se tornar alguém feliz.
Jussara que prefere ser chamada de Sara tem vinte e seis anos e está enfrentando o que acredita ser seu maior problema, mesmo que talvez não seja. Está solteira e isso a aterroriza. Mesmo depois de três meses, ela ainda sofre por Henrique ter terminado com ela, e pior, por WhatsApp. Mas, agora, solteira e com vinte e seis anos, Sara tem medo de não conseguir realizar até os trinta anos seu maior sonho que é casar.
Sara idealiza toda a sua felicidade em um casamento e na constituição de uma família. Para ela, não existe alegria em assistir um filme na própria companhia, na verdade, ela acha deprimente. Sendo dependente de relacionamentos e idealizando uma felicidade que não depende só de si própria, Sara, que é estilista de formação, mas, trabalha como costureira em um ateliê, acaba tendo a oportunidade de trabalhar exclusivamente para uma socialite bem conhecida. Porém, ao chegar lá, ela descobre que o namorado da mulher é seu ex-namorado e tendo que ser forte para não por em risco seu emprego, Sara busca por um marido como se isso fosse a solução de seus problemas. O casamento que ela tanto deseja ter não é o maior problema, pois mesmo acreditando ser isso que deseja, ela chega no fim do dia e se pergunta: "Quem é você, Sara? Do que você gosta? O que realmente deseja?"
Sendo a estreia de Kéfera na ficção, estava realmente curiosa para ler o livro e sinceramente, acreditava muito no potencial da história. Procurando livros sobre empoderamento feminino para ler, este acabou sendo indicado e isso acabou sendo mais um motivo para ler Querido Dane-se, um livro que realmente tenta trazer o empoderamento como tema, mas que se perde um pouco, ganhando força no final e mostrando que talvez o final seja bem melhor que o início. 

Sara é uma protagonista muito comum, porém, que necessita de um desenvolvimento que demora muito para acontecer. Sendo uma personagem que se cobra um padrão e se impõe metas, ela se perde ao entender que isto não é correto, mas, no momento seguinte e como se esquece isso e continuasse com tudo. A busca dela por um marido a leva a encontros estranhos e com fins desastrosos, mas, isso consegue ser explicado no final, porém, o que incomoda é que a personagem não segue uma linha, é se como a autora não tivesse real noção da própria personagem, pelo menos no início.
"— ...Eu não sei como é. Não sei como não é ter caráter, sumir e deixar alguém com quem você planejou uma vida junto completamente perdida."
O livro é escrito em forma de diário e no início é muito incômodo a forma como o leitor consegue ver que está sendo forçado uma escrita uma informal. Claro, a personagem está escrevendo um diário e daí vem-se uma coisa mais informal, mas, nos primeiros capítulos é como se Kéfera quisesse deixar claro aquele informalidade e não conseguisse. Por exemplo, fala palavrões, porém, a necessidade deles estarem em toda parte, muitas vezes sem nem terem importância, mostra que aquilo está muito forçado. E se dividirmos o livro em duas partes, podemos ver melhor que depois de alguns capítulo a escritora consegue sair desta linha e escreve normalmente e você vê que realmente é um diário e ela não está precisando forçar uma informalidade. 
"Achei que teria você para sempre.
Engano meu.
Sorte sua.
Choro meu.
Vida nossa,
que nos levou de encontro à fossa.
'E agora?', perguntei.
'Senta e chora', o destino respondeu.
Chorei.
..." 
O livro tem outros personagens, mas, não são tão desenvolvidos, entretanto, isso acaba não sendo um problema porque percebemos que o diário de Sara foca em algumas coisas e não teria como se expandir tanto para outros personagens. Faltou mostrar um pouco mais sobre a terapeuta que deveria ser importante para ajudar a Sara entender mais de si mesma, mas, em alguns momentos percebemos que mesmo indo a terapia, Sara não dá muito ouvido a terapeuta e foca sempre no que acha ser necessário para ser feliz.
"Uma raiva imensa foi tomando conta de mim. Eu não me sentia capaz, não me sentia o suficiente. Era como se eu sempre precisasse de algo para preencher uma lacuna. Como se eu sozinha não me bastasse."
O livro fala sobre empoderamento feminino, mas, no início isso não é tão desenvolvido por a protagonista ser tão centrada em algo e em uma idealização, mas, na proposta que a história tem, esse termo consegue se desenvolver. Algo muito interessante e que mostra esse crescimento levando a um empoderamento, é que mesmo idealizando uma felicidade e um padrão, Sara se pergunta em vários momentos quem se é e é neste ponto que a proposta da história consegue se materializar. A música que ela ouve é porque ela gosta ou porque alguém que ela "ama" gosta da música? Esses questionamentos e muitos outros vão mostrando que nem sempre é uma família, um amigo ou uma sociedade que impõe algo, mas, sim a própria pessoa. Sara se via obrigada a estar casada e feliz até os trinta e em nenhum momento vivia o que estava acontecendo a sua volta por medo de um futuro diferente do que idealizou e isso mostra que temos uma história e que temos uma busca juntamente com essa protagonista que deseja algo sem ao menos se conhecer.
"Então me dei conta de que não entrava em contato comigo havia muito tempo. A garota que era apaixonada por desenhar roupas, comer molho de tomate puro, tomar banho de chuva mesmo no frio, deitar no chão no fim da tarde para tomar sol... Fazia tempo que eu não olhava para as vontades dela..." 
Iniciando sua carreira na ficção, Kéfera mostra com Querido Dane-se que realmente tem potencial. Pode sim ter defeitos, mas tem proposta, tem vontade e tem esforço. Tem acima de tudo, o desejo de transmitir uma mensagem e isso me fez sorrir ao chegar ao fim desta história. Todo autor de verdade quer trazer na sua história uma mensagem, algo que mude alguém e Querido Dane-se mostra para as pessoas que ás vezes é necessário dizer um dane-se até para os próprios pensamentos que impõe medo e seguir em frente, vivendo cada momento. Idealizar um futuro faz parte, mas, não se esqueça do aqui e do agora, até porque quando chegar a este futuro, você vai desejar que este presente seja um passado incrível e isso só será possível se você se permitir viver.
"Eu não tinha dúvida alguma do meu amor por ele, provavelmente era o cara da minha vida. Mas e eu? E meu amor-próprio?Eu me amava como noiva do Matheus. Eu me amava como dona do ateliê. Eu me amava como amiga da Denise. Mas e a Sara? Sabia do valor dela mesma?
Quem é você, Sara?"
Adquira

8 comentários:

  1. Oiii Gabi

    Conheço os dois livros da Kéfera mas te confesso que tenho medo de ler muitas novidades lançadas por youtubers, já levei cada decepção que nem te conto! Ainda assim não descarto mais adiante ler alguma história dela.
    A capa desse livro é linda, e o tema todo sobre empoderamento feminino não poderia ser mais atual. Fico feliz em saber que apesar de alguns errinhos a leitura valeu a pena.



    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Oi Gabi! Eu adoro a capa desse livro! Acho interessante a forma de diário, sai um pouco do comum e que bom que apesar das ressalvas fica claro que a Kefera tem potencial! Muito boa sua resenha!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir
  3. Gostei da sua resenha, ainda não li esse livro!

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Oie
    Apesar de curtir livros em formato de diário, não sinto vontade de ler este livro, a premissa dele até me parece boa, mas não sei, não me chamou atenção.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Oii Gabi, amei a sua resenha, e eu tenho uma certa curiosidade em ler esse livro da Kéfera quem sabe futuramente né?!
    - Beijos, Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Oi!! Eu amei a capa e torço para que ela cresça como autora e se aperfeiçoe sempre. Por enquanto não lerei o livro. Mas deu para perceber que ela vem se dedicando cada vez mais na área da escrita. Bjs <3

    Click Literário

    ResponderExcluir
  7. Oi, Gabi!
    Menina, eu até que curti a capa do livro e a premissa, mas essa de se perder um pouco me deixa com o pé atrás...
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do Natal Literário e ganhe prêmios maravilhosos

    ResponderExcluir
  8. Oi Gabi.
    Eu gostei da capa do livro e a premissa é muito interessante, mas não leria neste momento.
    Bjus
    www.docesletras.com.br

    ResponderExcluir