RESENHA | O Diário de Anne Frank - Anne Frank

Livro: O Diário de Anne Frank
Autora: Anne Frank
Editora: Record
Páginas: 416
O depoimento da pequena Anne Frank, morta pelos nazistas após passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, ainda hoje emociona leitores no mundo inteiro. Seu diário narra os sentimentos, os medos e as pequenas alegrias de uma menina judia que, como sua família, lutou em vão para sobreviver ao Holocausto.
Lançado em 1947, O diário de Anne Frank tornou-se um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante e impressionante das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus faz deste livro um precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX.
Sendo um dos marcos mais importante e triste da história da humanidade, a Segunda Guerra Mundial é um real fato histórico que desperta a atenção de toda a humanidade. A crueldade governada por Hitler faz até hoje a humanidade se perguntar como alguém poderia ser tão egocêntrico e preconceituoso. No entanto, se hoje, ainda pensamos nisso, imagina como foi para os judeus – as maiores vítimas de Hitler – ter que viver sendo condenados a morte só por serem quem são? É justamente isto que vemos no diário de Anne Frank, uma criança quase adolescente que passa mais de dois anos escondida dentro de um anexo, para que assim possa não ser levada para os terríveis campos de contração.
Fora isso, Anne Frank que ganhou o coração do mundo, conta em seu diário seus maiores segredos e seus verdadeiros sentimentos, mostrando, hoje, que mesmo sendo jovem, era extremamente inteligente e talvez já muito avançada para a época em que vivia. O Diário de Anne Frank é a verdade sobre uma menina que precisa passar pela guerra criada por um ditador preconceituoso. Mesmo que não esteja viva, seu diário é um grito de verdade, é um grito contra o sofrimento que uma guerra pode causar.
Acredito que todos vocês conhecem O Diário de Anne Frank, talvez não tenham lido, mas com certeza já ouviram falar da menina que relatou tudo o que viveu enquanto se escondia das tortura que poderia sofrer só por ser judia. Não sei se é por justamente vocês já conhecerem ou por esse livro ser um dos mais importantes que já li, é extremamente complicado conseguir expressar em uma resenha tudo o que O Diário de Anne Frank é, pelo simples fato de que é tudo nele é tristemente magnífico.
"Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda."
Caso você já conheça os estilos de resenhas do Magia é Sonhar, preciso dizer que esta não será igual. Não posso simplesmente escrever sobre cada personagem e depois falar do enredo, até porque aqui ninguém é um personagem criado da imaginação e segundo, porque não se existe um enredo fantasioso para ser criticado, é uma realidade.

Anne Frank, em 12 de junho de 1942, ganha de presente, no seu aniversário de 13 anos, um diário e a partir deste dia, ela começa a realmente relatar sua vida, seu dia-a-dia e tudo mais com muita realidade, realmente deixando claro a sua personalidade. No início, temos Anne seguindo com a sua vida, indo as aulas, tomando sorvete e sendo uma adolescente comum. No entanto, chega um dia em que sua família e ela vão embora, para fugir e se esconder dos ataques nazista, já que eles eram judeus. Ao chegarem no Anexo Secreto, a casa onde ficariam escondidos, eles dividem o espaço com outros judeus: A família Van Daan e o dentista Albert Dussel.
"O papel tem mais paciência do que as pessoas."
Anne relata cada detalhe dos outros moradores do anexo secreto e isso é muito interessante para a história, porque o leitor consegue entender como cada pessoa reagia diante da guerra. Anne é uma adolescente de 13 anos e então sente tudo muito intensamente e podemos ver isso na forma como ela relata cada relação que ela tinha com cada um dos membros do anexo. Mesmo que, como leitor, muitas vezes possamos ter raivas das outras pessoas, como a mãe da Anne, é muito bom lembrar que estamos lendo a história do ponto de vista de Anne e nunca dos outros, a própria Anne percebe isso mais pra frente.
Então, mesmo que o leitor leia a história para saber mais sobre o que esta personagem passou se escondendo da guerra, ele é envolvido por uma história cheia de personalidade, então é preciso muita concentração para não pensarmos que estamos em uma história de ficção, cada detalhe desta história é real e isso é o mais surpreendente.
"Ando de cômodo em cômodo, subo e desço escadas e me sinto um pássaro de asas cortadas, que fica se atirando contra as barras da gaiola. 'Me deixem sair para onde existem ar puro e risos!", grita uma voz dentro de mim." 
Novamente, saindo da questão da guerra de Hitler, a história de Anne nos mostra que a garota passava por muitos outros conflitos. Um dos pontos mais importantes e talvez mais triste é quando Anne escreve que está se sentindo presa e que sente falta do ar puro e da liberdade, porém, ela não pode ficar triste porque precisa sentir-se privilegiada por ter conseguido se esconder, pois quem não conseguisse provavelmente iria morrer em um campo de concentração. Então, quando vemos que ela tem que ficar feliz por estar "presa", as sensações conflituosas atingem o leitor porque o conflito de Anne passa a ser nosso. Anne e todos os outros judeus foi marcado por Hitler não só pela tortura ou pela morte, foram marcados de todas as formas mais tristes possíveis.
"Olhamos as lutas lá embaixo e a paz e a beleza lá em cima. Enquanto isso, somos cortados pela massa de nuvens, de modo que não podemos subir nem descer. Ela paira diante de nós como uma parede impenetrável, tentando nos esmagar, mas ainda sem conseguir. Só posso chorar e pedir: 'Ah, círculo, círculo, abra e nos deixe sair!'"
Algo que é fascinante para quem está lendo O Diário de Anne Frank pela primeira vez é ver que a garota, mesmo vivendo no século passado, já era tão certa sobre questões que ainda discutimos. Anne era empoderada, mesmo que não soubesse que fosse. Ela não concordava que o homem fosse o chefe, ela não concordava em ter que ser a dona de casa só por ser mulher. Anne falava sobre sexualidade e não via problemas com isso, em se conhecer, em se descobrir e isso é muito maravilhoso. Vemos que o Diário dela não se tornou o que é só por causa da guerra, mas porque ela é extremamente inteligente e porque ela é representativa. Eu não esperava isso dela, pela época em que vivia, mas vemos que ela é "superior" em muitos pontos, porque se não diminui por ser mulher. O triste é saber que já se passaram tantos anos e tantas pessoas ainda conseguem ser machistas, sem conseguirem ver a desigualdade de gênero ainda existente. Anne Frank, mesmo nos 40, era totalmente empoderada.
"Enquanto puder olhar sem medo para o céu, saberá que é puro por dentro, e encontrará a felicidade outra vez."
Falei que muitas vezes é necessário concentração para não pensar que estamos lendo uma ficção porque Anne tem que seguir sua vida mesmo naquele anexo e mesmo com a guerra acontecendo e isso é algo que permite ao leitor se inserir mais no contexto de tudo. Anne faz aniversário naquele anexo, Anne menstrua pela primeira vez, ela se apaixona, ela cresce, ela amadurece, tudo no tempo em que vive naquela anexo e isso faz o leitor pensar sobre como, mesmo durante uma guerra, as coisas continuam e é difícil entender se isso é algo triste ou algo feliz. 
"A beleza continua a existir, mesmo na desgraça. Se a procurar, você descobrirá cada vez mais felicidade, e recuperará o equilíbrio."
Se você já parou para estudar sobre a Segunda Guerra Mundial, provavelmente se concentrou no que Hitler fazia e nos judeus que eram mandados para os campos de concentração. Por isso, O Diário de Anne Frank nos mostra outro lado da guerra, o lado de quem conseguiu, pelo menos por um tempo, se esconder ou fugir de Hitler e seus soldados. Além de nos mostrar constantemente como a guerra estava avançando, o livro nos proporciona mais visão sobre essa horrorosa guerra em todos os sentidos.
"Não quero que minha vida tenha passado em vão, como a da maioria das pessoas. Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte." 
Anne Frank fala sobre seu desejo de virar escritora e até publicar uma versão de seu diário, intitulado de o Anexo Secreto, até por isso, seu pai, o único sobrevivente, publica seu diário.
Anne tinha uma visão muito real sobre as coisas, até sobre coisas que ainda acontecem. Ela enxerga a realidade humana e isso é extremamente surreal, a menina escreve em muitas passagens, coisas que ainda acontecem constantemente. Muitas vezes ela fala que enquanto o poder falar mais alto, ocorrerá guerras e destruições e, infelizmente, podemos ver isso acontecendo até hoje.
"Há uma necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de demonstrar fúria, de assassinar e matar. E até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma metamorfose, as guerras continuarão a ser declaradas, e tudo o que foi cuidadosamente construído, cultivado e criado será cortado e destruído, só para começar outra vez!" 
A última vez em que Anne escreve em seu diário é no dia 1 de agosto de 1944 e mesmo que saibamos que no final ela morre por causa da guerra, é triste imaginar que aquilo ali foi rompido. No fim do diário, vemos uma Anne com esperança de voltar a sua vida normal, de ir a escola e isso é o mais chocante. Nesta edição do diário, após o fim, temos uma explicação do que foi descoberto e de como eles foram capturados e de como Anne morreu e, sinceramente, tinha medo de não gostar, porque sabia que ela iria morrer, mas se tivesse vivido, Anne Frank teria escrito ficções fantásticas porque ela conseguiu envolver o leitor em sua verdade de uma forma inexplicável.

O Diário de Anne Frank tem que ser lido por todos, mas não só por causa dos relatos sobre a guerra, mas por causa da verdade que ele representa. Anne Frank teve que viver numa época onde o preconceito e a sede de poder de um homem foi capaz de influenciar outros a matarem pessoas só pela sua religião, raça... O Diário de Anne Frank é em muitas vertentes um grito pela igualdade e sem dúvidas alguma, uma dor ao ver que muitas coisas ainda não mudaram. Só posso dizer: Anne você nunca será realmente esquecida, você sempre viverá em cada um de nós. 
"Vejo o mundo ser transformado aos poucos numa selva, ouço o trovão que se aproxima e que, um dia, irá nos destruir também, sinto o sofrimento de milhões. E, mesmo assim, quando olho para o céu, sinto de algum modo que tudo mudará para melhor, que a crueldade também terminará, que a paz e a tranquilidade voltarão."
ADQUIRA

17 comentários:

  1. Oiii Gabi

    O diário de Anne Frank foi um dos primeiros livros que li, por conta própria (sem ser obrigada pela escola) e lembro que me apeguei tanto ao livro. Eu era pequena, tinha uns 11 anos e nem sabia quase nada sobre esse periodo da Segunda Guerra e através do livro aprendi muito. É uma leitura intensa e a gente vai sentindo tristeza e angustia quando ja sabe qual foi o final de tudo, eu também recomendo porque é uma obra bem sincera e pura, acho que reflete demais a personalidade de Anne e dos outros com ela.

    Beijos

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  2. Oi, Gabs
    Tudo bem?
    Eu acho lindo histórias que mexem com os nossos sentimentos e emoções, e nos mostram o quanto a humanidade consegue ser cruel de uma forma que nunca poderiamos imaginar.
    Apesar do livro ser muito famoso e tocante de alguma forma, eu nunca quis ler O diário de Anne Frank, talvez porque sempre nutri o pensamento de que a narrativa seria triste e aterradora demais, por isso sempre fugi do livro.
    Mesmo com todas as considerações, ainda não sinto vontade de ler o livro. Acho que tem obras que simplesmente não foram para serem lidas por mim kkk mas eu pretendo mudar esse pensamento e enfim conhecer esse grande livro.
    Beijos

    http://www.suddenlythings.com/

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  3. Oie
    Este ano eu li uma HQ que contava a história de Anne e fiquei muito comovida. Fiquei com muita vontade de ler o livro completo e de comprar esta edição que é muito linda.

    Beijinhos
    https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  4. Olá, Gabi.
    Esse foi o primeiro livro que li que fala sobre a Segunda Guerra e acho que por ter gostado tanto dele sempre quero ler livros com esse tema. E o pior de tudo é saber que foi tudo real. Gostei bastante da sua resenha, não tinha pensado sobre ela ser empoderada até agora e não é que você tem razão? Eu li emprestado da biblioteca e queria muito essa edição, mas o preço não ajuda hehe.

    Prefácio

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  5. Eu li esse livro na juventude, época de escola... adorei a nova capa que fizeram
    Blog Entrelinhas

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  6. Oi Gabi, vc como sempre com resenhas intensas e bonitas. É um clássico que nunca li, mas tenho certeza que irá mexer com meus sentimentos, do tipo que vou precisar de tempo pra absorver tudo! Mas está na lista de livros que preciso ler antes de morrer!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. I did not know the book,but its quite interesting..

    https://clicknorder.pk online shopping in pakistan

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  8. Olá...
    Esse livro praticamente já se tornou um clássico da atualidade, mas, infelizmente, ainda não tive oportunidade de ler. Gosto bastante de ler sobre esse assunto, portanto, é uma obra que ainda pretendo ler.
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  9. Olá...
    Esse livro praticamente já se tornou um clássico da atualidade, mas, infelizmente, ainda não tive oportunidade de ler. Gosto bastante de ler sobre esse assunto, portanto, é uma obra que ainda pretendo ler.
    Bjo

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  10. Oi Gabi,

    Eu sempre gostei de assistir filmes/documentários sobre a Segunda Guerra Mundial, apesar de ficar muito abalada, mesmo sabendo que estaria diante de atrocidades não poderia deixar de saber sobre esse momento histórico desumano que foi provocado por humanos contra humanos.
    Esse livro está na minha estante e gostaria muito de lê-lo esse ano (espero realmente ler o quanto antes), mas acredito que vou ficar extremamente emocionada com os relatos de Anne. Tua resenha já me mostrou que vou encontrar uma adolescente extremamente madura e especialmente forte tendo em vista as circunstâncias em que vivia.

    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

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  11. Oi, Gabi

    Eu faço parte do time que conhece, mas não leu. Eu tenho sérios problemas com livros sobre guerras e por nove anos namorei um alemão, então imagine a quantidade de histórias que não ouvi? Tudo me deixa muito horrorizada e triste e isso contribuiu ainda mais pra minha repulsa, sabe? Eu super evito ler livros fictícios com essa temática, quem dirá uma história real...
    Mas eu adorei a sua resenha! É nítido o quanto o livro te tocou e eu fiquei refletindo aqui sobre ela se sentir feliz em estar presa... uma coisa muito triste, mas um privilégio em tempos tão sombrios...

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  12. Oi Gabi,

    Quero muito ler a história de Anne Frank, diversas pessoas me falaram o quanto é boa.
    Gosto de livros de nesse tema, ultimamente estou pegando algumas histórias sobre guerras do passado.
    Bjs
    http://diarioelivros.blogspot.com.br/

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  13. Oi flor! Que linda essa resenha! Eu sempre quis ler o diário da Anne Frank, mesmo sabendo que é um relato triste. Ainda assim, é um clássico que merece continuar sendo passado de geração em geração.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

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  14. Oi Gabi,
    Eu tenho essa edição aqui em casa.
    Minha mãe já leu e gosto muito. Tenho certeza que vou me emocionar.... Sei da história da Anne, porque já assisti ao filme, mas nada se compara com as próprias palavras da garota, né?
    beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  15. Eu amo DEMAIS esse livro. É o meu favorito da vida. Eu me vejo na Anne Frank entre os sonhos e medos dela, sabe? Eu amo tanto esse livro que comprei a versão capa dura linda e espero ler todos os outros livros sobre a vida dela, o Holocausto e a Guerra.

    Beijos
    Próxima Primavera

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  16. Depois que li esse livro mudei muitas coisas sobre tudo. Passei a ter um outro olha sobre o mundo. Esse livro é importante, é fundamental que todos leiam ele.
    Beijos.
    http://recolhendopalavras.blogspot.com.br/

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  17. Com uma resenha dessas a gente só termina de ler e fica apreciando, né!? Parabéns, que hino!
    Anne Frank foi uma heroína que nunca deve ser esquecida. Você captou e registrou cada detalhe... Certamente ela estava muito à frente de sua idade. Eu diria, inclusive, emocionalmente falando.

    Belíssima resenha!

    Um beijo grande, Gabi! <3

    http://www.aquelaepifania.com.br/

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